Duas semanas na região da Lapinha e Tabuleiro

Duas semanas na região da Lapinha e Tabuleiro
Por: Ronaldo e Sandra Wegner
« em: 17 de Janeiro de 2008, 14:14 »

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De volta de duas semanas de Lapinha, Tabuleiro, um pouco de Cipó e uma bordejada por cidades históricas. Seguem comentários úteis para aprimorar as dicas do forum, e um .pdf do mapa 1:100.000 do IBGE com os caminhos traçados tão exatamente quanto possível.
 
http://www.clubedosaventureiros.com/ca/images/stories/forum/IBGE Lapinha-Tabuleiro.pdf

1 - Até Santana do Riacho, ônibus da Saritur. Lapinha tem dificuldade de acesso. Mesmo para fretar, quase não há veículo em Santana do Riacho para enfrentar os 12 km, parte rampa acima até os 1100m de altitude do povoado. Emergencialmente, pode-se contar com o ônibus semanal, na 3ª f, que a Prefeitura põe à disposição do povo para resolver negócios e compras na sedezinha municipal. Sai 6:00 da manhã para Lapinha, volta em seguida para a cidade. Retorna para Lapinha tipo 14 ou 15:00 e volta para a cidade. Fora de feriados, é uma dica, mesmo que precária. O telefone público de Lapinha (orelhão no larguinho) é (31)3718-6171. Espere alguém atender. Interessante é o vento contínuo em Lapinha, desde o anoitecer até o meio do dia, amenizando o calor.

2 - Passeio gostoso, embora longo, de dia inteiro, é ir até o Poço do Soberbo, onde ainda se garimpou entre 1965 e 1975. O poço é grande, uns 150 x 100m de tamanho. Inclusive, na época, foi feita uma estradinha (um caminho, de fato) para passar veículos e caminhões pequenos para levar a tralha cujos restos ainda lá se encontram. O motor FNM Alfa Romeo lá abandonado não deixa mentir. Pode-se ir a pé ou a cavalo, umas 9 horas ida e volta (cerca de 30km ida e volta).

3 - Outro passeio que parece gostoso e não fiz por falta de tempo é ir à Cachoeira Bicame. Longe, precisa seguir a estradinha (carroçável, de fato) para Congonhas do Norte até uns 10km de Lapinha, seguir por dentro de uma fazenda até uma cumiada e descer trilha até o leito do Rio de Pedras (o mesmo que desemboca no Poço do Soberbo), onde tem um poço grande, menor que o Soberbo. Passeio para dia inteiro mesmo; preferivelmente sair na véspera e dormir na casa da tal fazenda onde se deixa a estradinha de Congonhas.

4 - Outro passeio gostoso é o da Serra do Breu. Conjugá-lo com a travessia para Tabuleiro é possível, mas me parece sacrificar o montanhista. Eu preferi fazê-lo como passeio independente e regressar a Lapinha após descer o Pico do Breu verdadeiro pela pirambeira por trás, após antes ter ido ao Pico da Lapinha ou Cruzeiro, que fica a cavaleiro da vila. O retorno utiliza as primeiras duas ou duas horas e meia da travessia. Também um passeio de uns 15 km e 9 horas de duração.

5 - A travessia propriamente dita fiz em um só dia. São cerca de 24 ou 25 km (9 ou 10 h), onde o que mais mata é a subida da escarpa na saída da Lapinha e depois a longa descida desde a garganta suave acima da D. Maria até Tabuleiro, descendo 700m de desnível (de 1330 até 630m), com muitos trechos de pedras soltas e a trilha íngreme toda lavada pela chuva e o intenso tráfego de pessoas acentuado nos últimos anos. Por isso prefere-se fazer Lapinha-Tabuleiro e não o inverso.

6 - Preferi fazer todos os passeios com um guia local, o Reginaldo (Regi), que também arrumou os cavalos para o Poço do Soberbo e a mula cargueira com nossa bagagem para fazer a travessia, que nós acompanhamos a pé.

7 - O caminho da travessia apresenta pouca oportunidade de erro. Uma delas é após a escarpa na subida saindo de Lapinha, após o rio Lajeado. Atravessa-se um espigãozinho, em cujo topo há uma porteira. Poucos minutos após, seguir diagonalmente à direita. Se for em frente, logo a seguir tem um grande curral e sabe que errou, bastando voltar uns 300m.

8 - O segundo ponto que pode confundir é no alto do espigão após subir da prainha do rio Parauninha, passando batido pela bifurcação do desvio que leva para a Ana Benta (com placa indicativa e tudo!). Neste alto agora tem uma pequena construção nova de uma fazenda, tipo abrigo de ferramentas. É onde, ao longo de uns 400m, desce diagonalmente à direita, tangencia a borda direita de uma matinha e desemboca novamente na trilha que vem da Ana Benta. É fácil, mas é bom as pessoas saberem para não se confundirem. Se em vez de descer diagonal seguir em frente, entra no meio de uma lavoura ampla, com trator, arado e tudo o mais.

9 - A descrição que você cita de uma espécie de "rua" não deu para entender. É trilha pedregosa mesmo. Daí a uns 45 min, é hora de subir a escarpa da serra do Parauninha, trilha íngreme, lavada e pedregosa e atravessar diagonalmente a tal estradinha com a trilha apontando sem problema a tal porteira. É o ponto culminante, na cota 1400m. Diz a história local que um prefeito de Santana do Riacho queria visitar a namorada em Congonhas do Norte e mandou passar máquina nos carreiros existentes. Hoje, dá acesso a estas fazendinhas, recém beneficiadas por eletricidade. A estradinha sai do asfalto para Conceição do Mato Dentro uns 7,3km ao norte do entroncamento para Morro do Pilar, passando pelo Campo Redondo. Desta mesma estradinha bifurca depois um ramalzinho (um "galho" de estrada) para a direita rumo à parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, padrão 4x4, facilitando o acesso para os menos aventureiros.

10 - Da porteira, em 1 hora e meia chega-se na Dona Maria. De lá, pouco abaixo, bifurca a trilha para a parte alta da cachoeira do Tabuleiro, este sim, motivo para pernoitar por lá e não fazer em um dia. Dica: após visitar a cachoeira por cima, tem que subir a crista acima da margem direita do rio e descer do lado oposto uma pirambeira a prumo, sem caminho marcado. Pode-se seguir esta crista abaixo do topo dela em sentido oposto à cachoeira e uma trilha vai surgir guiando ao topo dela. Siga em frente um bom tempo e você irá desembocar numa estradinha antiga, numa virada de serra, onde tem um cruzeiro. Siga pela esquerda, descendo um bom tempo. No fundo deste vale, onde surgem algumas casa, suba a encosta pela estradinha e no altinho torne a descer mais de 1 km, até chegar no Tabuleiro. É mais longo porém menos cansativo e bonito também.

12 - Em Tabuleiro, 4 pousadas: Bromélias na pracinha, Angico logo abaixo, Gameleira a 350m e Eco Hotel (rede Albergue da Juventude), este a 800m, os últimos 500m já subindo a estrada de saida do povoado. Tem camping no povoado e a 800m no Poço do Pari. Pouca opção de alimentação.

11 -De Tabuleiro, desde 2005 tem estrada de carro até a portaria do Parque Estadual da Serra do Intendente, a 2,5 km de distância. Tel: (31)3868-2039. Ingresso a R$ 5,00. Camping a 12,00 por pessoa e por dia, com banheiros etc e guarda 24h. Acesso à parte de baixo da cachoeira.

12 - Em Tabuleiro, além disso, vale à pena: cachoeira de Congonhas, na boca do canion do Rio Preto (2h a pé) com direito ao Poço do Pari na volta. Cachoeira Rabo de Cavalo-parte de baixo (10 km) ou para a parte de cima (9 km), a pé ou de cavalo. Mais além, o canion do rio Peixe Tolo - aí é melhor arrumar um 4x4 e dar a volta por Itacolomi.

13 - Passeio compridão é aquele que pega a chegada alternativa da Lapinha acima descrita e prossegue além do ponto onde chegamos da cachoeira do Tabuleiro, passando daí a 1 hora por um povoado quase abandonado (Cubas) e, querendo, completar um imenso círculo passando por Três Barras e retornando a Tabuleiro. Dá mais de 20 km e umas 9 horas de caminhada. Dica: se quiser aproveitar para sair ir embora de Tabuleiro a pé, não use a estrada porém este caminho: cerca de 1 hora além de Cubas, no fundo do vale, a estradinha bifurca no ramal de uns 1500m que chega no asfalto da estrada BH-Conceição, no trevinho de Três Barras (tem placas e tudo mais), a 14 km ao sul de Conceição (km 149,5), podendo pegar ônibus para BH. (Ou chegar a Tabuleiro a pé vindo de BH.)

Pousada Travessia onde ficamos em Lapinha é uma curtição, muita gostosa, desde a arquitetura da edificação ao tamanho e conforto dos quartos, passando pela alimentação e a simpatia da Savia. E pertinho do larguinho central. Vale cada real que se paga lá.


Foto tirada no meio da subida da escarpa a 1 h de Lapinha, o guia rebocando a mula cargueira.


Desvio para casa da Ana Benta


Prainha do Parauninha

Por: Ronaldo e Sandra Wegner

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