Grande volta da Chapada Diamantina de Carro

Grande Volta da Chapada Diamantina de Carro


Tipo: Montanha / Morro / Rocha

Região: PN da Chapada Diamantina, APA da Serra do Barbado, APA Marimbus/Iraquara

Localização: Centro-Oeste do Estado da Bahia, Brasil, América do Sul

Lat/Lon:  12°48'55.45"S /  41°33'56.59"W

Atividades: Paisagens, Caminhadas, Cidades Históricas

Época do Ano: Qualquer época

Altitude máxima: 2.033m (Pico do Barbado)




Descrição Geral



A Chapada Diamantina, como feição geográfica e/ou orográfica, ocupa uma área imensa, quase do tamanho de todo o Estado do Rio de Janeiro, e proporciona uma infinidade de atrativos naturais, de cachoeiras a cavernas, de montanhas a profundos cânoins. Mistura-se a isso dois importantes ciclos econômicos nos séculos XVIII e XIX, os ciclos do Ouro e Diamante, respectivamente, que deixaram importantes registros históricos e que assim conferem à Chapada um conjunto único de natureza e história.

Por ocupar uma área muito grande e oferecer tal diversidade de atrativos, fica difícil num primeiro momento escolher um roteiro para um primeiro contato com a Chapada. Em geral os visitantes optam pelos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina, que é a área mais bem estruturada e com a melhor acessibilidade ou mobilidade, mas representa apenas 1/4 de toda a área da Chapada e contempla apenas o denominado Circuito do Diamante. Não há dúvida que os atrativos naturais ao redor das cidades de Lençóis, Palmeiras, Iraquara, Caeté-Açu (Vale do Capão), Palmeiras, Andaraí, Igatu e Mucugê são imperdíveis, mas mesmo nestes locais há lugares pouco explorados. Quando então se pensa nas cidades de Piatã, Ibicoara, Abaíra, Catolés e Rio de Contas, são poucas as pessoas que conhecem as belezas naturais destes locais.

A Chapada Diamantina é dividida em duas grandes áreas ou circuitos, do Diamante e do Ouro. O primeiro é o mais famoso e praticamente coincide com os limites do Parque Nacional, enquanto o segundo ainda oferece muitos atrativos por descobrir e explorar. A geologia é determinante nesta divisão, pois condiciona a ocorrência dos minérios que impulsionaram as economias destas áreas durante a história, além de promover marcantes diferenças nas paisagens e na geomorfologia. Enquanto o Circuito do Diamante mostra as clássicas chapadas e mesas, com grandes planícies (gerais) entre elas e em seus topos, o Circuito do Ouro é marcado por montanhas de cristas alinhadas, camadas inclinadas e vales estreitos. Além disso, devido a maior distância do mar, a vegetação é menos exuberante (mas não menos interessante), sendo dominada por cerrados e campos nas partes altas e caatinga abaixo dos 800m de altitude.

O Circuito do Ouro contém as mais antigas ocupações da Chapada, pois o metal foi descoberto ainda na metade do século XVIII por garimpeiros de Minas Gerais e Goiás, nos arredores da atual cidade de Rio de Contas. Esta, aliás, é a primeira cidade planejada do país, visto que a riqueza oriunda do garimpo fez que com que os políticos mudassem o núcleo habitacional de Livramento do Brumado, no sopé da Serra das Almas, para Rio de Contas, construindo assim uma nova cidade com largas ruas e grandes praças, dominadas pelos principais prédios públicos. A medida que os garimpeiros iam descobrindo novas minas, a Estrada Real, que partia de Diamantina, alcançou a cidade de Jacobina, já no centro-norte bahiano. Em Rio de Contas e Catolés há trechos bem preservados da estrada. O diamante só seria descoberto um século depois, em Mucugê.

Após ouvir alguns relatos destes lugares menos explorados na chapada, resolvi planejar uma ultima viagem de carro (enquanto morador de Salvador) contemplando um roteiro alternativo, e posso garantir que foi uma viagem maravilhosa. Foram 9 dias de viagem que totalizaram cerca de 1500km, realizadas no mes de julho de 2010. O clima foi bastante favorável, especialmente durante o trecho no Circuito do Ouro, com dias ensolarados e um friozinho gostoso a noite. Apenas em Ibicoara e em Igatu choveu, durante os úlitmos dias, mas a chuva se concentrou a noite e não atrapalhou os passeios.

Para quem gosta da Chapada Diamantina e da natureza como um todo, sugiro uma visita ao site do fotógrafo Rui Rezende (www.fotosdachapada.com), onde há fotos de todo e qualquer lugar da Chapada.

O Roteiro



DIA 01: Trecho: Salvador - Catolés (600km, sendo 30 de estrada de chão)

Essa viagem tomou praticamente o dia inteiro. A entrada para Catolés a partir da BA-148 que aparecia em nosso mapa não é mais usada, então foi perrenge puro, a noite, percorrer este trecho semi-abandonado e isolado. Apenas na volta achamos o caminho correto, novo. Tirando isso, o trecho de estrada de terra entre a BA-148 e Catolés é muito bom, passando pelo povoado de Ouro Verde e dezenas de pequenos sítios. O visual é muito bonito, pois a estrada contorna os contrafortes da Serra da Tromba, que parece uma quilha de um grande navio. Catolés tem uma pousada simples e alguma infra de alimentação.


Paisagem na rodovia BA-148, próximo a Piatã



DIA 02: Subida ao Pico do Barbado (2033m)

Simplismente a montanha mais alta da Região Nordeste. Mais detalhes no artigo sobre o pico no site do CA.


DIA 03: de Catolés a Rio de Contas (110km, sendo 70km em estrada de chão)

Saimos pelas 9h da manhã de Catolés rumo a Rio de Contas. O primeiro trecho, até o entroncamento com a BA-148, é muito bonito, com várias paradas para fotografar a Serra da Tromba de diferentes ângulos e as casas típicas da região. Logo após tomar a direita no asfalto da BA-148 inicia-se a forte descida que termina em Abaíra, cidade que produz a cachaça homônima e de exelente qualidade. A praça principal tem esculturas alusivas a produção da aguardente, com o carro de boi, o moedor de cana movido por junta de bois, o barril de fermentação e uma fonte com a garrafa despejando, água.


Vista de Catolés com a Serra do Barbado ao fundo
  

Estrada Catolés BA-148: Mandacaru gigante com a Serra da Tromba ao fundo


Estrada Catolés BA-148: Casa típica do interior e a face leste da Serra da Tromba ao fundo


Estrada Catolés BA-148: Antigo moedor de cana por junta de bois e casa do alambique ao lado.
Ao fundo a Serra do Barbado


Logo na saída da cidade a mudança é drástica, a começar pela estrada, que é de chão até a próxima cidade (Jussiape). A paisagem é tomada pelo cinza da caatinga já seca e o verde fica restrito ao fundo do vale do Rio de Contas, que é utilizado para irrigar os canaviais e pequenas roças de frutas e verduras. A estrada é larga e pouco acidentada, mas deve-se prestar atenção ao atravessar a ponte sobre o Rio da Barra, pois após ela há um entroncamento não sinalizado e deve-se tomar a esquerda, pois a direita se segue para Caraguataí. Mais alguns quilômetros se chega a entrada de Jussiape e surge um maravilhoso asfalto, novo em folha, que nos levaria até Rio de Contas, que fica após outra bela serra.


Praça principal de Abaíra, um verdadeiro parque de esculturas homenageando o principal produto da região,
a ótima Cachaça Abaíra


Praça principal de Abaíra, com escultura do moedor de cana movido a junta de bois


Os vales de Abaíra e Jussiape, ao longo do Rio de Contas, mostram típica paisagem da Caatinga


Estrada entre Abaíra e Jussiape, anda sem pavimentação, com caatinga


Apenas o fundo do vale se mantém verde, e é marcado por pequenas propriedades e roças de cana de açucar


Ainda sobrou tempo para dar uma volta no centro e, seguindo pela BA-148, descer a Serra da Almas (trecho muito perigoso) até as planícies de Livramento do Brumado, de onde se tem várias visões da incrível Cachoeira do Fraga.


Igreja de Santana em Rio de Contas


BA-148 entre Livramento de Nossa Senhora e Rio de Contas, com a Serra das Almas e a Cachoeira do Fraga



DIA 04: Subida ao Pico das Almas

Terceira maior montanha da Bahia, e talvez a mais bela, pela singularidade da paisagem. Veja todos os detalhes da trilha aqui no site do CA.


Pico das Almas visto do Campo do Queiroz



DIA 05: Pico das Almas ao povoado do Baixão (Ibicoara): 120km, sendo 90km de chão

Este prometia ser o dia mais aventureiro, pois já iniciaria com a caminhada do Campo do Queiroz (base do Pico das Almas) até a Fazenda Brumadinho (onde havia deixado o carro). Após umas 2h de trilha seguimos de carro pelo caminho inverso do dia 03, até a cidade de Jussiape. A partir daí viria a parte "no escuro" da viagem, que seria encontrar o caminho entre Jussiape e Ibicoara. Não havia nada nos mapas e tentei traçar a estrada olhando no google earth (na época as imagens não eram boas como agora), e após tomar algumas informações no posto de combustível de Jussiape seguimos rumo a serra que separa o vale do Rio de Contas dos Gerais de Mucugê. A estrada é boa, mas estreita e cheia de curvas, exigindo bastante atenção. É bom se informar antes sobre as condições da estrada. Atualmente, graças a boa qualidade das imagens no google maps, fica muito fácil planejar este trecho.

Após atingir os Gerais de Mucugê, a estrada é reta e plana, ladeada por muitas plantações de grandes projeto agrícolas, até chegar ao asfalto da BA-142, justamente no entroncamento para Ibicoara. Basta seguir reto por mais 10km em asfalto irregular e mal sinalizado até Ibicoara. Depois tomar a estrada para o Baixão, facilmente visualizada pelo google maps. Ver mais detalhes no Roteiro da Cachoeira da Fumacinha por Baixo, aqui no CA.


Estrada de acesso a Ibicoara a partir da BA-142, com a Serra do Sincorá ao fundo


Início da estrada de Ibicoara para o Baixão


Trecho da Estrada Ibicoara - Baixão próximo ao mirante do Capão Redondo


Após 5h de trilha a partir do Baixão, se chega a fantástica Cachoeira da Fumacinha



DIA 06: Trilha da Fumacinha por Baixo; Povoado do Baixão a Mucugê (120km, sendo 30km de chão)

Após fazer toda a caminhada da Fumacinha por Baixo, era necessário carregar o carro com as tralhas e seguir viagem para Mucugê. A estrada entre o Baixão e Ibicoara já estava reconhecida, o que permitiu alguma economia de tempo. O trecho asfaltado entre Ibicoara e Mucugê é muito bom (a excessão do acesso a Ibicoara a partir da BA-142), com grandes retas, aclives e declives, e um visual incrível dos contrafortes da Serra do Sincorá, bem como dos Gerais de Mucugê e seus grandes pivôs de irrigação. Originalmente os gerais eram ocupados por cerrado. Mucugê é uma bela e pacata cidade histórica, e tem como principais atração o Cemitério Bizantino, localizado na chegada da cidade para quem vem de Ibicoara, além do Museu do Garimpo e do Projeto Sempre Viva, situados na saída para Andaraí.


DIA 07: Mucugê a Xique Xique de Igatu (30km)

Dia leve, destinado a descansar das etapas anteriores. A única obrigação era ir à bela cidade de Igatu e encontrar a casa que havíamos alugado. A forma mais fácil de chegar a cidade é tomando a BA-148 sentido Andaraí, que é muito sinuosa e perigosa neste trecho. Notar que no mapa, novamente, as estradas do banco de dados do google maps está totalmente incorreta, e eu tive que desenha-la por cima da imagem de satélite. Um pouco antes da ponte sobre o Rio Paraguaçu há o acesso a Igatu a esquerda. A estrada até lá é pavimentada por pedras e tem um belo visual, com grandes rochas e numerosos cactos xique-xique. Para quem vem de Mucugê há um acesso secundário que economizam 20km de viagem, mas é uma estrada de chão mal conservada, é bom se informar antes.

A cidade de Igatu é conhecida como a Machu Picchu da Chapada, pois mais da metade da cidade é constituída por ruínas. Isto se deve a mineração do chamado carbonado, um diamante sem valor gemológico mas muito importante para uso industrial em brocas de perfuratrizes. A cidade chegou a ter 15 mil habitantes na década de 1920 mas, com a invenção do diamante industrial sintético, houve uma súbita queda do preço e a cidade entrou em rápida decadência, sendo praticamente abandonada. Na década de 1980 ela tinha pouco mais de 180 habitantes e atualmente, com o incremento do turismo, já tem quase 400 habitantes.

A área urbana encerra alguns atrativos, além dos setores em ruínas, como uma galeria de arte, a imperdível casa de "Seu Amarildo" e, principalmente, a tranquilidade da cadência da vida do interior. A lista de atrações naturais também é grande, com destaque para o mirante da Rampa do Caim e várias cachoeiras.


Xique-xique de Igatu vista do Morro do Cruzeiro


Ruas de Igatu na parte habitada da cidade


Ruas do setor abandonado da cidade



DIA 08: Caminhada para o Mirante da Rampa do Caim

A caminhada dura umas 3h e se inicia no campo de futebol (todo mundo conhece). O início da trilha é um pouco confuso, mas os nativos dão as dicas, sem que façam pressão para que os contrate como guias. Esta confusão se dá pelos resquícios das atividades de garimpo, que abriram várias trilhas e valas que confundem a trilha, mas logo ela se "define" e basta tomar a esquerda na primeira bifurcação que ela fica sem mistério. A caminhada é bem tranquila, em aclive suave, passando por algumas tocas de pedra que eram aproveitadas como moradias pelos garimpeiros. É possível observar várias estruturas oriundas da atividade garimpeira, como muros de pedra, canais e uma barragem no alto da serra.

Após a barragem, são mais 15min de caminhada até outra represa, e logo se atinge outra pequena represa, já no alto da serra, que já permite o primeiro visual do outro lado da serra. Até o mirante são apenas 5min e de lá a paisagem é fantástica. É possivel observar a junção do Rio Paraguaçu, que vem da esquerda desde Mucugê, e do Rio Preto, que corre desde o Vale do Paty. Os rios estão encaixados em grandes cânions e mostram as típicas águas escuras da Chapada. O mirante fica alinhado com o Vale do Paty e dá uma idéia da grandeza deste lugar, um dos mais mágicos da Chapada.

A descida é ainda mais tranquila e, se houver disposição, é possível visitar os garimpos abandonados. Próximo ao campo de futebo há uma casa, sob grandes paredões, que oferece a visita às tocas de onde era retirado o material para ser lavado e selecionado, na busca pelos diamantes. As grandes montanhas de cascalho são a prova desta atividade, que foi tão intensa e devastadora que a vegetação local ainda se recupera. Outra cicatriz do garimpo são os imensos bancos de areia que podem ser vistos no vale do Paraguaçu, resultado da erosão induzida pelo garimpo no alto da serra.


Vista do Canion do Rio Paraguaçu a partir do mirante da Rampa do Caim


Vista do Vale do Paty a partir da Rampa do Caim



DIA 09: Igatu - Salvador (500km)
 

Localização



A Chapada Diamantina fica na região centro-oeste do estado da Bahia.

Como Chegar



Os melhores caminhos são via BR-242 (para quem vem de Salvador) e BR-116+407 (para quem vem do sul do país).


Distâncias das Capitais



   Rio de Janeiro (RJ): 1370km
   Salvador (BA): 600km


Mapa Dinâmico





Visualizar Circuito de carro na Chapada Diamantina em um mapa maior

Pessoal, as estradas mostradas no google maps e google earth na região da Chapada contém muitas incorreções, pois contém estradas projetadas que nunca foram construídas e as estradas verdadeiras não estão cartografadas. A região de Ibicoara é especialmente crítica neste aspecto. O melhor é aproximar a imagem e procurar as estradas "manualmente", aproveitando a boa qualidades das imagens nesta região.


Quando Ir



Qualquer época. O verão e outono são um pouco mais chuvosos (com tempestades típicas de verão) e o inverno frio e seco, com neblina e garôa à noite e os dias mais nublados e temperaturas amenas, ótimos para as caminhadas. Na primavera (época mais seca) deve-se ter muito cuidado com as queimadas.


Galeira de Fotos



Chapada Diamantina
Cachoeira da Fumacinha
Pico das Almas
Abaíra e região
Catolés e Pico do Barbado


Download Carta Topográfica




Dicas



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comentários  

 
0 #1 07-07-2011 10:37
Ola amigo te mandei um email recentemente pedindo informacoes acerca desta trip. tmb sou de salvador e faço geografia na ufba, pretendo fazer uma viagem dessa talvez de onibus ou carro com amigo quimico. preciso de info. entre em contato via email. obrig e parabens!
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