A Pedra do Frade é um imenso dedo rochoso em riste apontando para o céu que se eleva a 1.574 metros de altitude. Sua localização é mais que privilegiada, ele está debruçado sobre o belo e recortado litoral de Angra bem na borda da escarpada Serra do Mar, se encontrando nos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina e pertinho da divisa entre o estado do Rio de Janeiro e São Paulo. É nesse cenário maravilhoso que encontramos sua principal trilha, que se inicial na pequena cidade paulista de Bananal, mas precisamente na bucólica região conhecida como Brejal. Nessa dura trilha somos desafiados a cruzar por uma dezena de rios cristalinos, fazendas centenárias, verdes campos, escorregadios brejos e tudo isso emoldurado por uma luxuriante Mata Atlântica.
O cume do Frade é amplo e como existe vegetação em seu topo o visual só é possível em seus três mirantes. No primeiro, localizado na face oeste, podemos apreciar uma soberba vista do litoral sul da baía de Angra dos Reis que está localizada bem aos pés de uma infinidade de escarpados morros enfileirados que fazem parte dessa bela serra. O segundo mirante, que é o principal, aponta para o sudeste e de lá podemos visualizar boa parte da cidade de Angra com seu rocortado litoral salpicado por dezenas de ilhas, com destaque claro para a Ilha Grande, podemos admirar mais a leste um lindo "mar montanhas" até onde a visão alcança, mas o que nos chama mais atenção é o imponente e pontudo Pão de Açúcar de Mangaratiba que está localizado no recém criado Parque Estadual Cunhambebe. O terceiro e último mirante é um pouco escondido, e na minha opinião é o melhor dois três, ele possui uma visão bem parecida com a do principal, só que de lá ainda podemos ver o grande planalto da Bociana e bem no fundo a linda silueta da Serra da Mantiqueira, realmente uma visão muito inspiradora.
  
Altitude: 1.574 m.
  
Início pelo Brejal (Bananal - SP):
       
Nível: Caminhada semi-pesada.
       
Duração: 5h até 7h (Ida).
       
Distância: 15 km (Ida).
  
Início pela Vila do Frade (Angra - RJ):
       
Nível: Caminhada Pesada.
       
Duração: 5h até 6h (Ida).
       
Distância: 11 km (Ida).
  
Administração: IBAMA.
  
Carta Topográfica: Cunhambebe.
  
Atração: Paisagem e banho de rio.
Já me enviaram alguns bons relatos sobre a Pedra do Frade, muito bem escritos, que possivelmente dariam um bom roteiro para um episódio do seriado "Sobrevivi", mas eles não refletem de maneira alguma a dificuldade real dessa trilha. Eu considero a considero como média, sem muitas dificuldades se for feita nas condições ideais e com um planejamento adequado, mas por outro lado estamos em um ambiente natural e mesmo com todo planejamento estamos sujeitos a situações de perigo, mas com toda certeza podemos diminuir muito a incidência desses riscos. Eu também não acho que essa trilha seja para todo mundo, com certeza é necessário ter pelo menos um montanhista experiente no grupo.
O primeiro ponto a ser avaliado é a logística, pois normalmente essa caminhada demora 7 horas para atingir o cume (quando feita de mochila cargueira), então é necessário começar a caminhar cedo, na minha opinião até as 9:00 horas da manhã para chegar com folga ao cume, para não precisar acampar no meio do caminho, e para isso é necessário chegar em Bananal na noite anterior ao inicio da caminhada. * Vide Logística
Outro ponto importante para analisar é a previsão do tempo, eu não recomendo de maneira nenhuma ir para essa caminhada com o tempo chuvoso ou com grande possibilidade de chuva, pois grande parte dessa caminhada se dar sobre charcos, e quanto mais molhado pior para se caminhar, sem contar que não teremos nenhum visual, apenas o risco de pegar uma tempestade em seu cume, pior ainda se for uma tempestade de raios.
É muito importante também pegar uma boa descrição da trilha e um bom mapa, pois existem muitas bifurcações, até mesmo trilhas mais marcadas que a principal, então se você for fazê-la sem esse material é fato se perder. A trilha em si não é difícil, normalmente dá para seguir sem maiores problemas, às vezes a trilha se fecha um pouco, cai uma árvore ou a trilha fica menos marcada, mas com um olhar mais atento é possível achá-la novamente sem grandes dificuldades.
Outro ponto que precisa ser avaliado é saber escolher a trilha correta para o seu grupo, pois existem algumas trilhas para a Pedra do Frade, a mais comum e mais fácil é uma trilha de 15 quilômetros que se inicia em Brejal, que é um bucólico bairro da cidade paulista de Bananal. Essa trilha já começa bem alta, a caminhada se inicia já quase perto dos 1.200 metros de altitude, sem contar que grande parte dessa trilha é plana com ligeiros sobe-e-desce, só começa mesmo a aumentar a inclinação apenas duas horas do cume.
A trilha mais curta, cerca de 10 quilômetros, é saindo de Angra dos Reis, mas precisamente da comunidade de Vila do Frade, que fica bem perto do Hotel do Frade, famoso do resort da região. Eu não recomendo essa trilha para subir, apenas para descer, pois ela é muito, muito íngreme. São praticamente 1.500 metros de desnível vertical que possivelmente deve ser um dos maiores desníveis que temos aqui no Brasil, pois começamos a caminhar praticamente ao nível do mar, e vamos direto até o cume. Eu recomendo essa trilha para poucos grupos, pois é uma trilha muito íngreme, pouco marcada e com algumas bifurcações abertas por palmiteiros o que nos confunde um pouco, mas com certeza é a melhor trilha para se usar para a volta, ainda mais que sai bem na BR101 o que nos ajuda muito na nossa logística, pois de lá podemos pegar facilmente um ônibus para a rodoviária de Angra.
Outra trilha que podemos utilizar começa em um dos descampados bem no meio da trilha que começa no Brejal e segue descendo em uma trilha fácil e aberta, mas com algumas bifurcações abertas possivelmente por palmiteiros até interceptar uma estradinha no final da clássica Trilha do Ouro perto de Mambucaba. Tem muitos grupos que utilizam essa trilha para descer, mas eu também não gosto dela, pois você é obrigado a voltar muito e depois ainda sai bem longe de um transporte, sem contar que é muito monótono andar nessa longa estradinha no final da Trilha do Ouro até Mambucaba.
Ida:
Pousada Brejal ------ 13k -------> Gruta dos Alemães - 1.9 k -> Cume do Frade
Volta:
Cume do Frade - 1.9k -> Gruta dos Alemaes ----> 9.0k -----> Vila do Frade (BR101)
Iniciando a caminhada para a Pedra do Frade via Bananal, o principal ponto de apoio e conseqüentemente o inicio da trilha é na Pousada Brejal, que fica no quilômetro 33 da rodovia SP247 na localidade também conhecida como Brejal. Se você veio de carro ainda é possível seguir mais para frente, mas caso venha de carro próprio o ideal é estacionar na pousada, pois é um local mais seguro e menos ermo. Um bom motivo para dar uma passadinha na pousada é para tomar um reforçado café da manhã e para tirar as últimas dúvidas da trilha com o Sr. Carlinhos, o proprietário da pousada, que conhece muito bem a trilha.
A caminhada começa muito tranqüila, é praticamente um passeio sobre a própria estradinha de terra (SP247) que passa em frente à pousada seguindo sentido sul, sem muito sobe e desce. Em poucos minutos passaremos por uma bifurcação onde o caminho correto é para a esquerda descendo uma curva em cotovelo. Seguindo ainda na estradinha andando agora em um descampado, cruzaremos uma ponte de madeira que fica ao lado de um pequeno laguinho e logo depois passaremos ao lado de uma ladeira a esquerda que dá acesso a uma fazenda, mas continuamos pela plana estradinha agora acompanhando uma cerca de arame farpado que delimita o terreno de uma pequena fazenda ao nosso lado direito e mais para o fundo a primeira visão de nossa meta em um ângulo totalmente desafiador, realmente uma bela imagem para nós encher de gás no início dessa bela caminhada.
Andando por cerca de 20 minutos após a primeira ponte chegaremos a sede da Fazenda Seda Moderna a nossa direita, que é uma pequena e antiga casa no estilo rústico ao lado de uma bela árvore, e na nossa esquerda em cima de uma pequena colina onde podemos avistar um cruzeiro, mas de tão pequenino é quase imperceptível. A partir desse ponto estaremos caminhando pela borda do parque da Bocaina, pois desse ponto essa estradinha se torna o limite do mesmo, ou seja, as terras do parque estão a nossa esquerda. Outra curiosidade deste lugar é que 300 metros após a sede da fazenda estaremos saindo do Estado de São Paulo para começar a caminhar no Rio de Janeiro, mas precisamente nas terras do município de Angra dos Reis. Logo depois passaremos por um mata-burro e após por uma bifurcação, onde devemos seguir para a direita passando por uma porteira.
Ainda caminhado pela bucólica estradinha passaremos em poucos minutos por uma casinha branca com algumas outras construções bem simples no nosso lado esquerdo. Se você veio de carro, esse é um bom lugar para deixá-lo, depois desse ponto a estradinha piora um pouco, mas ainda dá para seguir se você não tiver pena do seu carro. Logo depois cruzaremos por uma porteira de arame farpado, e com mais 5 minutos por mais outra e logo após por uma bifurcação que devemos seguir para a direita. Com mais 10 minutos passaremos sobre um rio se equilibrando sobre uns troncos colocados estrategicamente e desafiadoramente para a passagem de veículos, mas eu acho muito arriscado a manobra, pois já é muito escorregadio simplesmente para andar, então na minha opinião aí é o ponto final para quem vai de carro, ainda mais que logo depois começa verdadeiramente a trilha e bem no seu início já vamos precisar tirar as botas para atravessar um rio com água na altura das canelas. Se você veio de carro até aqui, economizou um pouco mais de quatro quilometro ou uma hora de caminhada.
Poucos minutos após passar se equilibrando sobre a ponte de troncos, precisamos abandonar a precária estradinha, que incrivelmente ainda segue por mais alguns quilômetros, para entrar a esquerda em um pequeno descampado com uma Araucária em seu final, a trilha propriamente para dita para o Frade começa aí. No final desse descampado entre na trilha e logo chegaremos ao Rio Bonito, onde como já informei, precisaremos tirar as botas para entrar nas suas gélidas águas que dependendo da estação do ano pode estar batendo nas canelas (inverno), ou um pouco acima da cintura (verão), mas em ambos os casos não é muito difícil de atravessá-lo.
Com um pouco menos de 10 minutos de pernada após o Rio Bonito, entraremos em um grande descampado que mais parece um enorme charco - ainda mais se tiver chovido alguns dias antes - onde deveremos seguir até o seu final onde a trilha adentra em uma floresta. A trilha agora se dá sobre sombras de árvores de médio porte e inclina um pouquinho, mas o que mais nos atrapalha nesse ponto são atoleiros, que precisamos desviar constantemente. Nesse ponto a trilha dá uma virada levemente para a esquerda seguindo de vez na direção sul, e vai nesse sentido até praticamente chegarmos no cume do Frade. Um quilômetro após o descampado, precisamos atravessar o Córrego João Manuel, que é bem mais estreito que o Bonito, pulando de pedra em pedra. Logo depois que cruzar o rio a vegetação diminui um pouco para logo depois ficar mais densa com árvores de copas um pouco mais altas, mas a trilha continua bem definida. Com mais 35 minutos cruzaremos por mais dois riachos e chegaremos em um outro grande descampado com um rio no meio, onde em seu final existe uma cerca e uma porteira que devemos passar para voltar a andar sobre as copas das árvores. A trilha sobe um pequena encosta e em menos de 10 minutos chegaremos no terceiro descampado, só que esse um pouco menor que o anterior, mas com uma visão incrível do Frade de Angra bem na nossa frente.
No final do descampado encontramos uma bifurcação, mas devemos seguir reto (ainda sentido sul) na trilha bem marcada que volta a adentrar a floresta. A partir desse ponto vamos andar sobre a mata até praticamente chegarmos na base da pedra, e a cada passo a mata vai se revelando cada vez mais exuberante, nos impressionando pela sua diversidade e pela beleza em suas formas e cores. Muitas espécies de orquídeas lilases, roxas quaresmeiras, samambaias e bromélias, árvores altíssimas e imponentes, tudo isso é um pouco diferente do que vimos até aqui. Com mais 15 minutos, após o fim do último descampado, começaremos a andar dentro de um leito de rio que cruza com vários riachinhos e vamos assim por algum tempo. Com mais 10 minutos chegaremos em um trecho meio confuso que precisamos de atenção, encontraremos uma bifurcação com a grande trilha que segue para Mambucaba, mas devemos seguir em frente mas agora a trilha dá uma virada para a esquerda e poucos minutos depois vira para a direita seguindo novamente para o sentido sul, e depois de um pouco mais de 5 minutos cruzaremos por um tronco um pequeno riacho e com mais 5 minutos chegaremos em outra bifurcação com uma grande árvore com a inscrição PF (Pedra do Frade) e uma seta apontando o caminho que devemos seguir talhada em seu tronco.
Seguiremos reto, no sentido da seta (sul), passaremos em 5 minutos por uma árvore de médio porte caída e com mais 5 minutos por dois riachos. Com mais ou menos 30 minutos a trilha começa a descer, no final da descida a trilha cruza uma outra bem marcada, mas o caminho correto é seguindo para a direita, como já informei, sempre sentido sul. Logo depois de mais 10 minutos passaremos por mais um ponto de água e a trilha vira levemente e começa a seguir no sentido sudoeste onde devemos levar mais 10 minutos para atravessar mais um rio sobre uma ponte de galhos e com mais 10 minutos chegaremos em um local que caiu uma grande árvore levando outras menores causando uma bela confusão e interditando completamente o nosso caminho. A opção é seguir um pouco mais para a direita, ou subir nos trocos para pegar a trilha do outro lado. Depois dessa interrupção na trilha em pouco tempo chegaremos à gruta dos Alemães que a maioria dos grupos leva cerca de 5 horas até chegar aqui partindo da pousada.
A Gruta dos Alemães é o último ponto de água da trilha e não existe água no cume, então o reabastecimento nesse ponto se faz necessário. É preciso pegar água para mais duas horas de caminhada para se chegar ao cume do Pico, para o acampamento (caso o faça) e para a descida até esse ponto, então eu aconselho ir bem no final da gruta para pegar no mínimo três litros desse precioso líquido. A gruta é apenas um amontoado de grandes pedras que caíram neste local, e por coincidência da natureza formaram uma caverna com um bom tamanho, mas não muito bom para um acampamento, pois possui o solo muito irregular, mas pode ser usada para um bivaque caso o grupo não tenha a intenção de seguir para o topo nesse dia.
Até esse ponto não encontramos nenhuma maior dificuldade durante a trilha, sem contar que ela é bem plana com leves subidas e descidas. Talvez até aqui o maior obstáculo são os constantes atoleiros que nos obrigam escolher nosso próximo passo cuidadosamente. Outro ponto de atenção são as bifurcações, mas é só você ter boas informações fazendo um bom planejamento para a trilha não terá grandes problemas.
Partindo da boca Gruta dos Alemães pegamos em pouco mais de 20 ou 30 metros a trilha a esquerda subindo agora bem inclinada entre as árvores. Bem no começo dessa forte subida o traçado da trilha é bem tênue sobre a vegetação alta com árvores bem e espaçadas, neste ponto é preciso ter atenção nas marcações de facão ou nas fitas amarradas nos troncos para se orientar (para quem quiser na volta descer para a Vila no Frade é importante identificar nesse ponto uma também tênue trilha saindo pela a esquerda descendo). Em menos de 10 minutos de subida passaremos por cima de alguns troncos caídos no meio da trilha e em seguida vamos começar a andar ao lado de gigantescos blocos de pedra, que por vez forma pequenas grutas. A subida vai ficar cada vez mais íngreme e escorregadia devido a palha de bambu e folhas secas que forram o chão nos obrigando a diminuir um pouco o ritmo e de vez em quando somos obrigados a usar a mão para nos auxiliar nessa ascensão, e vamos assim durante 40 minutos até chegar no incrível mirante do frade que fica exatamente no início do selado que faz a ligação com a Pedra.
O mirante do Frade em minha opinião é o ponto forte de toda caminhada, nesse ponto podemos ver o pináculo debruçado sobre a baia de Angra em seu angulo mais desafiador e impressionante nos causando um friozinho na barriga, ainda mais para quem faz pela primeira vez. Após uma breve parada para um descanso e também para tirar muitas fotos seguimos caminhado sobre o topo de uma crista subindo e descendo levemente em meio aos bambus e bromélias que dominam a paisagem, e 10 minutos depois alcançamos a base da Pedra propriamente dita. Agora basta contorná-la pela direita por mais ou menos 30 minutos, ora nos afastando ora próximo dela, através do corredor de pedras menores que com alguns locais para um bivaque ou até mesmo um pequeno acampamento ao pé da pedra-mor, com bons lugares planos e arenosos, mas se acampar neste ponto é bom não chover, pois a pedra vai canalizar toda a água alagando esses lugares mais planos.
Já quase dando a volta na base da pedra, a trilha desce um pouco para logo chegar no ponto de maior dificuldade: a "canaleta final" que dá acesso ao cume onde a trilha vira um verdadeiro toca “pra cima” íngreme, quase uma escalaminhada vertical através de raízes, pedras, mata e musgos, nos obrigando a agarrar firmemente nas pedras escorregadias utilizando raízes e troncos sobressaltados como degraus pouco confiáveis, onde todo cuidado é pouco. Alguns minutos depois de entrar na canaleta começaremos a subir através de uma “escadinha” podre de madeira caindo aos pedaços onde existem algumas cordas que nos auxiliam nessa escalada dispensando degraus menos confiáveis deteriorados pela umidade e terra ao redor, mas também não podemos confiar totalmente nessas cordas, pois elas ficam sobre o tempo e também se deterioram. Logo depois do sufoco se descortinará os primeiros belos visuais, mais ainda falta mais um trechinho... o ataque final com mais uma escalaminhada bem fácil e uma crista rochosa para se chegar no mirante da face oeste do Frade que aponta para uma infinidade de escarpados morros enfileirados que fazem parte dessa bela serra. A subida da canaleta até o mirante da face oeste leva em média uns 20 minutos.
Chegando nesse mirante é hora de sentar e admirar toda essa beleza, nesse momento vamos estar cansados, extasiados e com a certeza que essa dura caminha é pouco por essa maravilha que podemos desfrutar e compartilhar com nossos amigos. Depois do mirante seguimos para a direita, passando por uma matilha chegando bem meio da pedra no local do primeiro acampamento, que é plano, com chão de terra batida e um pouco protegido. Nesse acampamento dá para armar por volta de quatro barracas. Saindo do acampamento por uma saída a direita chegaremos no principal mirante da Pedra do Frade, é desse mirante que o Frade revela toda beleza em sua volta. De lá podemos apreciar boa parte do recortado litoral de Angra salpicada com dezenas de ilhas, é possível ver boa parte da Serra da Bocaina e também muitas montanhas recém criado parque do Cunhambebe, com as Três Orelhas e o imponente Pão de Açúcar de Mangaratiba. Existe um segundo acampamento, descendo do mirante principal para a esquerda colado na pedra, repare que tem uma entradinha que sai em uma gruta de pedras onde devemos passar por dentro, descendo, para subir do outro lado já nesse segundo acampamento. Esse acampamento dá para no máximo para duas barracas pequenas, mas em compensação tem um mirante magnífico e exclusivo, que em minha opinião tem um visual melhor visual de toda Pedra do Frade! Enjoy!
Como já informei anteriormente a trilha de descida mais rápida é a que começa perto da Gruta dos Alemães e sai na BR101 em Angra dos Reis, passando pela comunidade denominada de Vila do Frade, que é vizinha ao Hotel do Frade, só que a passagem pelo hotel (que é bem mais rápida) está proibida, então nos resta sair pela comunidade mesmo, mas não vejo o menor problema nisso. A grande jogada desse caminho é que a trilha acaba bem na BR101 o que facilita muito a nossa logística. Do final da trilha é só pegar um ônibus comum que passa a todo momento até a rodoviária de Angra dos Reis e de lá um outro para a sua cidade.
Nessa trilha nem tudo é alegria, e afirmo que ela não é para todos os grupos, pois é uma trilha bem tênue, íngreme e indefinida sobre copas de grandes árvores de nossa Mata Atlântica e para piorar a situação ainda tem algumas trilhas alternativas abertas por palmiteiros que nos confundem um pouco, então se seu grupo não estiver acostumado a ambiente como esse, volte pela mesma trilha de acesso ao Frade.
Desça do cume da Pedra do Frade volte até uns 200 metros antes de chegar na Gruta dos Alemães e tente achar uma trilha saindo pela sua direita (direita de quem desce), durante a descida você vai passar pela escalaminhada, pelo selado, pelo mirante, pela forte descida com os grandes blocos de pedra e vai sair em um local mais ou menos plano com altas árvores meio que espaçadas um pouco antes (200 metros) da gruta. Nesse local é até possível ver algum resquício de material de caçador, como alguma armadilha velha, material para tocaia ou lixo de acampamento. Um dos pontos mais difíceis dessa trilha é achar a conexão nesse ponto com a trilha de descida, mas se procurar com cuidado vai achar. Depois de 3 minutos já andando na trilha de descida você vai passar por uma grande pedra que forma uma gruta com uma pedra arredondada menor bem na sua frente, então a grande dica é achar essa gruta com e pedra arredondada, pois a trilha de descida passa pelo lado esquerdo dessa gruta.
Nessa íngreme descida até a BR, precisamos tentar ler o rastro da trilha com atenção, que por vez está bem marcado, mas por outra bem tênue e precisamos também nos guiar pelas marcas de facão que riscam os troncos das árvores e por muitas vezes por um saco azul que está amarrado em muitos troncos ou jogados no chão. A partir da gruta a trilha segue mais ou menos plana no sentido nordeste até chegarmos em um rio em 20 minutos de caminhada. Depois de passar pelo rio a trilha muda de direção indo primeiro para o sudeste e logo depois para o sul onde passaremos por algumas pedras grandes, por mais um riacho, por um leito de rio seco e chegaremos uma grande pedra que forma uma grutinha que pode ser usada para um bivaque meio improvisado. Desde o primeiro rio até aqui andamos cerca de 1 hora em uma trilha bem inclinada que de vez em quando é até possível ver o dedo rochoso do Pico do Frade entre as muitas altas árvores.
Com mais um minuto passaremos por outra grande pedra e logo a trilha muda de direção indo para o nordeste onde passaremos por uma laje de rio em um pouco mais de 5 minutos e com mais 5 por mais um riacho. Um pouco depois do último riacho a trilha começa novamente a mudar de direção indo para sudeste onde passaremos por alguns bambuzais e a cada passo a trilha fica cada vez mais íngreme o que nos força, por muitas vezes, a segurar nos troncos das árvores para nos ajudar a descer. Com 30 minutos de descida vertiginosa cruzaremos por dois riachos e logo depois a trilha fica mais ou menos plana para depois descer forte novamente onde devemos passar por uma bifurcação, onde deveremos seguir ainda reto pela principal, mais logo depois nos depararemos por uma bifurcação indo mais a direita, depois desse ponto a inclinação da trilha diminui e começaremos a escutar um barulhinho bem bucólico de uma queda d’água de um rio que também desce nessa vertente bem perto de onde estamos passando.
O pior já passou, depois desse ponto a trilha fica cada vez mais plana, mais marcada e fácil de seguir. Depois de 20 minutos da última bifurcação, ou 40 do último rio passaremos por outra bifurcação que deveremos seguir para a direita descendo, em poucos minutos a trilha começa a mudar de direção começando ir para nordeste e logo depois passaremos por outra bifurcação onde devemos seguir reto descendo, em seguida por um ponto de água e logo após chegaremos em um local muito bonito com uma pequenina queda d’água, lugar obrigatório para uma parada para descansar, para tirar algumas fotos e para fazer um lanche reforçado. A partir desse ponto você já pode relaxar, agora a trilha fica muito mais fácil pois já estamos bem perto do limite do parque.
Após a cachoeirinha chegaremos em uma estradinha que está tomada pela vegetação e logo de cara podemos já visualizar as torres de transmissão bem perto, se seguirmos nessa estradinha sentido sul sairemos nos fundos do Hotel do Frade, e esse é o caminho mais rápido para a BR, só que os seguranças estão barrando e criando confusão para quem entra nas terras do hotel dessa forma, então nossa alternativa é seguindo reto na trilha que continua perpendicularmente a estradinha na mesma direção que estávamos vindo, ou seja, assim que chegarmos nessa estradinha é só cruzá-la que e trilha continua do outro lado entrando na mata.
A trilha agora fica muito larga e sobe um pequeno morrote, em um pouco mais de 5 minutos passaremos por uma placa nos indicando que estamos em uma propriedade privada, possivelmente nas terras do dito hotel, e com mais 2 minutos a vegetação abre um pouco nos revelando um lindo visual do litoral de Angra com suas ilhas bem de perto e também uma imensa cadeia de montanhas no fundo com destaque para o pontudo Pão de Açúcar de Mangaratiba. Após passar ao lado direito de uma torre de alta tensão a trilha adentra a mata com uma vegetação de arbustos e de pequeno porte. A trilha segue ainda muito bem marcada, mas depois desse ponto passaremos por muitas bifurcações, mas praticamente todas saem na comunidade, aqui a questão é fazer o caminho mais curto. Com menos de 5 minutos após passar a torre entramos a esquerda em uma bifurcação e passaremos por um riacho Nesse ponto olhando para a direita no alto podemos ver o Frade de Angra em um angulo diferente que não lembra nada ao que estamos acostumados.
Um pouco mais de 5 minutos pegaremos o caminho descendo em outra bifurcação seguindo o sentido leste. A partir desse ponto vão aparecer um monte de canos de água que servem para distribuir a água dos rios para as casas da comunidade que fica na encosta desse morro. Seguiremos por um tempo paralelo a um leito de rio com muitos canos e poucos minutos depois já conseguimos ver a nossa direita, entre as árvores, muitas casas da comunidade Vila do Frade. No final da trilha chegaremos no terreno de uma casa com algumas bananeiras e uma escada a direita descendo que dá acesso a comunidade. Precisamos descer uma série de escadas e rampas praticamente em linha reta, sem ter que entrar em nenhuma bifurcação Essa descida é rápida e em menos de 15 minutos já estaremos na BR101, já perto do ponto de ônibus e também perto de um bom restaurante para tomar uma cervejinha muito gelada para comemorar o final dessa incrível aventura.
A Pedra do Frade de Angra fica nos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina e é um dois pontos culminantes da cidade sul fluminense de Angra dos Reis.
Para quem quiser fazer um bate e volta indo e voltando por Bananal é possível ir de carro próprio, mas para quem quiser fazer alguma travessia, entrando por Bananal e saindo por Angra o por Mambucaba o ideal é ir de ônibus até Barra Mansa ou até Bananal. Em Bananal, caso veio de ônibus você vai precisar contratar um transporte para subir a serra (mais de 30 quilômetros) para te deixar ou perto da trilha ou na pousada do Brejal.
Chegando em Barra Mansa você tem a opção de pegar um ônibus da viação Colitur que sai da própria rodoviária e que segue para Bananal ou pegar um taxi ou um transporte até Bananal. Se você tiver um grupo de no mínimo 3 pessoas já vale a pena contratar uma Kombi para te levar já da rodoviária de Barra Mansa direto até a pousada do Brejal ou até o começo da trilha, pois começa a ficar mais vantajoso financeiramente, pois normalmente os taxistas e motoristas de Kombi de Bananal cobram 50,00 reais para levar da Rodoviária até Bananal e com 3 pessoas praticamente empata com o preço do ônibus, além de ser mais cômodo e não precisa se preocupar com os horários do mesmo.
Se você optou ir de ônibus até Bananal você vai ter que também contratar uma Kombi para te levar no alto da serra, pois são mais de 30 quilômetros de subida contados da pracinha central de Bananal o que inviabiliza a subida a pé, a não ser que você tenha tempo de sobra. Normalmente o pessoal que faz esse serviço cobra entra 100,00 e 200,00 dependendo do número de pessoas, mas não ache que esse preço seja caro, pois é uma viajem de 1h:30min em uma estradinha bastante esburacada e se for com um grupo grande dá para ratear esse valor tranquilamente. Normalmente os motoristas de Taxi não fazem o trajeto Bananal x Brejal, mas também não custa nada tentar caso não encontre uma Kombi para esse trecho.
  
Pousada Brejal:
Proprietários: Carlinhos e Estefânia
Endereço: Rodovia SP247, Km33 - Cep:12850-000, Serra da Bocaina, Bananal, SP
Telefone: (24) 9993-3999
Site: www.cabbananal.com/brejal
  
Motoristas de Kombi:
Gordo: (12) 9166-5289 / (12) 9112-2598 * Recomendado pelo Carlinhos da pousada Brejal
  
Motoristas de Taxi:
Dirceu: (12) 9709-0044 / (12) 3116-1294
Zelair: (12) 9166-6549
Tônico: (12) 3116-5141
Paulinho: (12) 9709-1909
Deli (cunhado do Zelair): (12) 9103-0713
Orelhão do ponto de Taxi de Bananal: (12) 3116-0423
Outros: (12) 3116-1185 / (12) 3116-1329
De Carro:
Pela Rodovia BR116 (Via Dutra) siga até a cidade de Barra Mansa (RJ) e pegue a saída 273 (Km 237) para entrar no acesso da rodovia que segue até Bananal (SP) que primeiramente é a rodovia RJ155 para depois seguir pela SP68 (Rodovia dos Tropeiros). Em Bananal siga pela rodovia SP247 para subir a serra sentido bairro Brejal, no quilômetro 15 da SP247, siga pela direita, no quilômetro 22 o asfalto acaba e começamos a andar em uma estrada de terra bem razoável, normalmente ela fica pior no verão que é a época das chuvas. No quilômetro 26 seguir pela esquerda, pois a direita segue para o Sertão da Onça. No quilômetro 28 siga para a direita, a esquerda segue para o Sertão do Rio Vermelho. No quilometro 33 passaremos pela pousada Brejal que é o ponto de apoio dessa caminhada e no quilometro 37 chegaremos na pousada do Rio Mimoso.
De Ônibus:
Tanto para quem vem do Rio de Janeiro quanto de São Paulo o ideal é seguir para a cidade fluminense de Barra Mansa (RJ), pois lá existem diversos ônibus que seguem para Bananal. Para quem vem do Rio de Janeiro pegar o ônibus da Viação Cidade o Aço e para quem vem de São Paulo pegar o ônibus da viação Pássaro Marrom.
Site da Viação Pássaro Marron
Site da Viação Cidade do Aço
  
Ida: Barra Mansa (RJ) x Bananal (SP)
Viação Colitur: 6:10hs, 7:10hs, 8:10hs, 9:40hs, 11:30hs, 13:20hs, 15:20hs, 17:20hs e 18:50hs
* Domingo não tem o ônibus das 6:10hs e 8:10hs.
Viação Rancho Grande: 7hs, 10:20hs, 13hs e 20hs.
  
Volta: Bananal (SP) x Barra Mansa (RJ)
Viação Colitur: 6hs, 7hs, 8h, 9h, 10:40hs, 12:20hs, 14:20hs, 16:10hs e 18:10hs.
* Domingo não tem o ônibus das 7hs e 9hs
Viação Rancho Grande: 5:40hs, 8:20hs, 11:40hs, 15hs e 18:40hs
- Colitur: (24) 3323-4151 / (24) 3323-8640 / (24) 3323-1480
- Rodoviária de Barra Mansa: (24) 3323-4091 / (24) 3322-4275
  
Rio de Janeiro (RJ): 145 km
  
São Paulo (SP): 308 km
  
Belo Horizonte (RJ): 508 km
  
Brasília (DF): 1281 km
  
Arapeí (SP): 18 km
  
Barra Mansa (RJ): 27 km
  
Paranapiacaba: 81 km
  
Angra dos Reis (RJ): 97 km
  
Paraty (RJ): 168 km
  
São Luiz do Paraitinga (SP): 198 km
  
Cunha (SP): 202 km ou 130 km com 16 km de estrada de terra
A melhor época de subir a Pedra do Frade de Angra é o inverno, porque chove menos ficando a caminhada mais segura, as trilhas mais secas, menos escorregadias, o céu mais limpo e o rio com uma menor vazão o que nos ajuda a atravessá-lo, mas em compensação o frio é intenso no alto da serra. Nas demais estações é possível ir, mas esteja preparado para andar duramente nos charcos e para chuvas principalmente no final da tarde. No verão as temperaturas podem chegar perto dos 40°C.
Normalmente o pessoal acampa no cume do Frade de Angra, mas o mesmo é um pouco desprotegido e possui dois lugares para acampar. No cume propriamente dito deve dar apertado para quatro barracas pequenas, e um pouco mais para baixo, no sentido contrario da crista subida tem um outro local onde também é possível acampar, mas esse local é bem pequeno cabendo no máximo para duas barracas pequenas. Não existe água perto do cume, o ideal é levar água para o acampamento desde a Gruta dos Alemães.
Existe também a possibilidade de acampar na base da Pedra em alguns lugares planos com solo de areia, mas só acampe nesse local se não chover, pois a pedra canaliza toda água para esses lugares mais planos. Também podemos armar uma ou duas barracas na boca da Gruta dos Alemães, no interior não, pois o solo é muito irregular.
Quem quiser o Mapa das Trilhas da Pedra do Frade a em tamanho grande, favor solicitá-lo no e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Para esclarecer suas dúvidas, ou para pegar algumas dicas nos envie também um e-mail.
Para quem quiser, também, o Mapa da Serra da Bocaina em tamanho grande, favor solicitá-lo no e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
2011-07 - Brejal (Bananal - SP) x Pedra do Frade (Angra dos Reis - RJ)
2011-07 - Pedra do Frade (Angra dos Reis - RJ) x Vila do Frade (Angra dos Reis - RJ)
Carta Topográfica Cunhambebe - Escala 1:50.000
Tracklog da Travessia Bananal x Vila do Frade via Pedra do Frade de Angra - RJ (CA)
  
Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto;
Adote uma Montanha
Pedra do Frade
Descrição
A Pedra do Frade é um imenso dedo rochoso em riste apontando para o céu que se eleva a 1.574 metros de altitude. Sua localização é mais que privilegiada, ele está debruçado sobre o belo e recortado litoral de Angra bem na borda da escarpada Serra do Mar, se encontrando nos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina e pertinho da divisa entre o estado do Rio de Janeiro e São Paulo. É nesse cenário maravilhoso que encontramos sua principal trilha, que se inicial na pequena cidade paulista de Bananal, mas precisamente na bucólica região conhecida como Brejal. Nessa dura trilha somos desafiados a cruzar por uma dezena de rios cristalinos, fazendas centenárias, verdes campos, escorregadios brejos e tudo isso emoldurado por uma luxuriante Mata Atlântica.
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O cume do Frade é amplo e como existe vegetação em seu topo o visual só é possível em seus três mirantes. No primeiro, localizado na face oeste, podemos apreciar uma soberba vista do litoral sul da baía de Angra dos Reis que está localizada bem aos pés de uma infinidade de escarpados morros enfileirados que fazem parte dessa bela serra. O segundo mirante, que é o principal, aponta para o sudeste e de lá podemos visualizar boa parte da cidade de Angra com seu rocortado litoral salpicado por dezenas de ilhas, com destaque claro para a Ilha Grande, podemos admirar mais a leste um lindo "mar montanhas" até onde a visão alcança, mas o que nos chama mais atenção é o imponente e pontudo Pão de Açúcar de Mangaratiba que está localizado no recém criado Parque Estadual Cunhambebe. O terceiro e último mirante é um pouco escondido, e na minha opinião é o melhor dois três, ele possui uma visão bem parecida com a do principal, só que de lá ainda podemos ver o grande planalto da Bociana e bem no fundo a linda silueta da Serra da Mantiqueira, realmente uma visão muito inspiradora.
  
Altitude: 1.574 m.  
Início pelo Brejal (Bananal - SP):       
Nível: Caminhada semi-pesada.       
Duração: 5h até 7h (Ida).       
Distância: 15 km (Ida).  
Início pela Vila do Frade (Angra - RJ):       
Nível: Caminhada Pesada.       
Duração: 5h até 6h (Ida).       
Distância: 11 km (Ida).  
Administração: IBAMA.  
Carta Topográfica: Cunhambebe.  
Atração: Paisagem e banho de rio.Planejamento
Já me enviaram alguns bons relatos sobre a Pedra do Frade, muito bem escritos, que possivelmente dariam um bom roteiro para um episódio do seriado "Sobrevivi", mas eles não refletem de maneira alguma a dificuldade real dessa trilha. Eu considero a considero como média, sem muitas dificuldades se for feita nas condições ideais e com um planejamento adequado, mas por outro lado estamos em um ambiente natural e mesmo com todo planejamento estamos sujeitos a situações de perigo, mas com toda certeza podemos diminuir muito a incidência desses riscos. Eu também não acho que essa trilha seja para todo mundo, com certeza é necessário ter pelo menos um montanhista experiente no grupo.
O primeiro ponto a ser avaliado é a logística, pois normalmente essa caminhada demora 7 horas para atingir o cume (quando feita de mochila cargueira), então é necessário começar a caminhar cedo, na minha opinião até as 9:00 horas da manhã para chegar com folga ao cume, para não precisar acampar no meio do caminho, e para isso é necessário chegar em Bananal na noite anterior ao inicio da caminhada. * Vide Logística
Outro ponto importante para analisar é a previsão do tempo, eu não recomendo de maneira nenhuma ir para essa caminhada com o tempo chuvoso ou com grande possibilidade de chuva, pois grande parte dessa caminhada se dar sobre charcos, e quanto mais molhado pior para se caminhar, sem contar que não teremos nenhum visual, apenas o risco de pegar uma tempestade em seu cume, pior ainda se for uma tempestade de raios.
É muito importante também pegar uma boa descrição da trilha e um bom mapa, pois existem muitas bifurcações, até mesmo trilhas mais marcadas que a principal, então se você for fazê-la sem esse material é fato se perder. A trilha em si não é difícil, normalmente dá para seguir sem maiores problemas, às vezes a trilha se fecha um pouco, cai uma árvore ou a trilha fica menos marcada, mas com um olhar mais atento é possível achá-la novamente sem grandes dificuldades.
Outro ponto que precisa ser avaliado é saber escolher a trilha correta para o seu grupo, pois existem algumas trilhas para a Pedra do Frade, a mais comum e mais fácil é uma trilha de 15 quilômetros que se inicia em Brejal, que é um bucólico bairro da cidade paulista de Bananal. Essa trilha já começa bem alta, a caminhada se inicia já quase perto dos 1.200 metros de altitude, sem contar que grande parte dessa trilha é plana com ligeiros sobe-e-desce, só começa mesmo a aumentar a inclinação apenas duas horas do cume.
A trilha mais curta, cerca de 10 quilômetros, é saindo de Angra dos Reis, mas precisamente da comunidade de Vila do Frade, que fica bem perto do Hotel do Frade, famoso do resort da região. Eu não recomendo essa trilha para subir, apenas para descer, pois ela é muito, muito íngreme. São praticamente 1.500 metros de desnível vertical que possivelmente deve ser um dos maiores desníveis que temos aqui no Brasil, pois começamos a caminhar praticamente ao nível do mar, e vamos direto até o cume. Eu recomendo essa trilha para poucos grupos, pois é uma trilha muito íngreme, pouco marcada e com algumas bifurcações abertas por palmiteiros o que nos confunde um pouco, mas com certeza é a melhor trilha para se usar para a volta, ainda mais que sai bem na BR101 o que nos ajuda muito na nossa logística, pois de lá podemos pegar facilmente um ônibus para a rodoviária de Angra.
Outra trilha que podemos utilizar começa em um dos descampados bem no meio da trilha que começa no Brejal e segue descendo em uma trilha fácil e aberta, mas com algumas bifurcações abertas possivelmente por palmiteiros até interceptar uma estradinha no final da clássica Trilha do Ouro perto de Mambucaba. Tem muitos grupos que utilizam essa trilha para descer, mas eu também não gosto dela, pois você é obrigado a voltar muito e depois ainda sai bem longe de um transporte, sem contar que é muito monótono andar nessa longa estradinha no final da Trilha do Ouro até Mambucaba.
Ida:
Pousada Brejal ------ 13k -------> Gruta dos Alemães - 1.9 k -> Cume do Frade
Volta:
Cume do Frade - 1.9k -> Gruta dos Alemaes ----> 9.0k -----> Vila do Frade (BR101)
A Trilha
Ida: Brejal x Pedra do Frade
Iniciando a caminhada para a Pedra do Frade via Bananal, o principal ponto de apoio e conseqüentemente o inicio da trilha é na Pousada Brejal, que fica no quilômetro 33 da rodovia SP247 na localidade também conhecida como Brejal. Se você veio de carro ainda é possível seguir mais para frente, mas caso venha de carro próprio o ideal é estacionar na pousada, pois é um local mais seguro e menos ermo. Um bom motivo para dar uma passadinha na pousada é para tomar um reforçado café da manhã e para tirar as últimas dúvidas da trilha com o Sr. Carlinhos, o proprietário da pousada, que conhece muito bem a trilha.
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A caminhada começa muito tranqüila, é praticamente um passeio sobre a própria estradinha de terra (SP247) que passa em frente à pousada seguindo sentido sul, sem muito sobe e desce. Em poucos minutos passaremos por uma bifurcação onde o caminho correto é para a esquerda descendo uma curva em cotovelo. Seguindo ainda na estradinha andando agora em um descampado, cruzaremos uma ponte de madeira que fica ao lado de um pequeno laguinho e logo depois passaremos ao lado de uma ladeira a esquerda que dá acesso a uma fazenda, mas continuamos pela plana estradinha agora acompanhando uma cerca de arame farpado que delimita o terreno de uma pequena fazenda ao nosso lado direito e mais para o fundo a primeira visão de nossa meta em um ângulo totalmente desafiador, realmente uma bela imagem para nós encher de gás no início dessa bela caminhada.
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Andando por cerca de 20 minutos após a primeira ponte chegaremos a sede da Fazenda Seda Moderna a nossa direita, que é uma pequena e antiga casa no estilo rústico ao lado de uma bela árvore, e na nossa esquerda em cima de uma pequena colina onde podemos avistar um cruzeiro, mas de tão pequenino é quase imperceptível. A partir desse ponto estaremos caminhando pela borda do parque da Bocaina, pois desse ponto essa estradinha se torna o limite do mesmo, ou seja, as terras do parque estão a nossa esquerda. Outra curiosidade deste lugar é que 300 metros após a sede da fazenda estaremos saindo do Estado de São Paulo para começar a caminhar no Rio de Janeiro, mas precisamente nas terras do município de Angra dos Reis. Logo depois passaremos por um mata-burro e após por uma bifurcação, onde devemos seguir para a direita passando por uma porteira.
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Ainda caminhado pela bucólica estradinha passaremos em poucos minutos por uma casinha branca com algumas outras construções bem simples no nosso lado esquerdo. Se você veio de carro, esse é um bom lugar para deixá-lo, depois desse ponto a estradinha piora um pouco, mas ainda dá para seguir se você não tiver pena do seu carro. Logo depois cruzaremos por uma porteira de arame farpado, e com mais 5 minutos por mais outra e logo após por uma bifurcação que devemos seguir para a direita. Com mais 10 minutos passaremos sobre um rio se equilibrando sobre uns troncos colocados estrategicamente e desafiadoramente para a passagem de veículos, mas eu acho muito arriscado a manobra, pois já é muito escorregadio simplesmente para andar, então na minha opinião aí é o ponto final para quem vai de carro, ainda mais que logo depois começa verdadeiramente a trilha e bem no seu início já vamos precisar tirar as botas para atravessar um rio com água na altura das canelas. Se você veio de carro até aqui, economizou um pouco mais de quatro quilometro ou uma hora de caminhada.
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Poucos minutos após passar se equilibrando sobre a ponte de troncos, precisamos abandonar a precária estradinha, que incrivelmente ainda segue por mais alguns quilômetros, para entrar a esquerda em um pequeno descampado com uma Araucária em seu final, a trilha propriamente para dita para o Frade começa aí. No final desse descampado entre na trilha e logo chegaremos ao Rio Bonito, onde como já informei, precisaremos tirar as botas para entrar nas suas gélidas águas que dependendo da estação do ano pode estar batendo nas canelas (inverno), ou um pouco acima da cintura (verão), mas em ambos os casos não é muito difícil de atravessá-lo.
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Com um pouco menos de 10 minutos de pernada após o Rio Bonito, entraremos em um grande descampado que mais parece um enorme charco - ainda mais se tiver chovido alguns dias antes - onde deveremos seguir até o seu final onde a trilha adentra em uma floresta. A trilha agora se dá sobre sombras de árvores de médio porte e inclina um pouquinho, mas o que mais nos atrapalha nesse ponto são atoleiros, que precisamos desviar constantemente. Nesse ponto a trilha dá uma virada levemente para a esquerda seguindo de vez na direção sul, e vai nesse sentido até praticamente chegarmos no cume do Frade. Um quilômetro após o descampado, precisamos atravessar o Córrego João Manuel, que é bem mais estreito que o Bonito, pulando de pedra em pedra. Logo depois que cruzar o rio a vegetação diminui um pouco para logo depois ficar mais densa com árvores de copas um pouco mais altas, mas a trilha continua bem definida. Com mais 35 minutos cruzaremos por mais dois riachos e chegaremos em um outro grande descampado com um rio no meio, onde em seu final existe uma cerca e uma porteira que devemos passar para voltar a andar sobre as copas das árvores. A trilha sobe um pequena encosta e em menos de 10 minutos chegaremos no terceiro descampado, só que esse um pouco menor que o anterior, mas com uma visão incrível do Frade de Angra bem na nossa frente.
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No final do descampado encontramos uma bifurcação, mas devemos seguir reto (ainda sentido sul) na trilha bem marcada que volta a adentrar a floresta. A partir desse ponto vamos andar sobre a mata até praticamente chegarmos na base da pedra, e a cada passo a mata vai se revelando cada vez mais exuberante, nos impressionando pela sua diversidade e pela beleza em suas formas e cores. Muitas espécies de orquídeas lilases, roxas quaresmeiras, samambaias e bromélias, árvores altíssimas e imponentes, tudo isso é um pouco diferente do que vimos até aqui. Com mais 15 minutos, após o fim do último descampado, começaremos a andar dentro de um leito de rio que cruza com vários riachinhos e vamos assim por algum tempo. Com mais 10 minutos chegaremos em um trecho meio confuso que precisamos de atenção, encontraremos uma bifurcação com a grande trilha que segue para Mambucaba, mas devemos seguir em frente mas agora a trilha dá uma virada para a esquerda e poucos minutos depois vira para a direita seguindo novamente para o sentido sul, e depois de um pouco mais de 5 minutos cruzaremos por um tronco um pequeno riacho e com mais 5 minutos chegaremos em outra bifurcação com uma grande árvore com a inscrição PF (Pedra do Frade) e uma seta apontando o caminho que devemos seguir talhada em seu tronco.
Seguiremos reto, no sentido da seta (sul), passaremos em 5 minutos por uma árvore de médio porte caída e com mais 5 minutos por dois riachos. Com mais ou menos 30 minutos a trilha começa a descer, no final da descida a trilha cruza uma outra bem marcada, mas o caminho correto é seguindo para a direita, como já informei, sempre sentido sul. Logo depois de mais 10 minutos passaremos por mais um ponto de água e a trilha vira levemente e começa a seguir no sentido sudoeste onde devemos levar mais 10 minutos para atravessar mais um rio sobre uma ponte de galhos e com mais 10 minutos chegaremos em um local que caiu uma grande árvore levando outras menores causando uma bela confusão e interditando completamente o nosso caminho. A opção é seguir um pouco mais para a direita, ou subir nos trocos para pegar a trilha do outro lado. Depois dessa interrupção na trilha em pouco tempo chegaremos à gruta dos Alemães que a maioria dos grupos leva cerca de 5 horas até chegar aqui partindo da pousada.
A Gruta dos Alemães é o último ponto de água da trilha e não existe água no cume, então o reabastecimento nesse ponto se faz necessário. É preciso pegar água para mais duas horas de caminhada para se chegar ao cume do Pico, para o acampamento (caso o faça) e para a descida até esse ponto, então eu aconselho ir bem no final da gruta para pegar no mínimo três litros desse precioso líquido. A gruta é apenas um amontoado de grandes pedras que caíram neste local, e por coincidência da natureza formaram uma caverna com um bom tamanho, mas não muito bom para um acampamento, pois possui o solo muito irregular, mas pode ser usada para um bivaque caso o grupo não tenha a intenção de seguir para o topo nesse dia.
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Até esse ponto não encontramos nenhuma maior dificuldade durante a trilha, sem contar que ela é bem plana com leves subidas e descidas. Talvez até aqui o maior obstáculo são os constantes atoleiros que nos obrigam escolher nosso próximo passo cuidadosamente. Outro ponto de atenção são as bifurcações, mas é só você ter boas informações fazendo um bom planejamento para a trilha não terá grandes problemas.
Partindo da boca Gruta dos Alemães pegamos em pouco mais de 20 ou 30 metros a trilha a esquerda subindo agora bem inclinada entre as árvores. Bem no começo dessa forte subida o traçado da trilha é bem tênue sobre a vegetação alta com árvores bem e espaçadas, neste ponto é preciso ter atenção nas marcações de facão ou nas fitas amarradas nos troncos para se orientar (para quem quiser na volta descer para a Vila no Frade é importante identificar nesse ponto uma também tênue trilha saindo pela a esquerda descendo). Em menos de 10 minutos de subida passaremos por cima de alguns troncos caídos no meio da trilha e em seguida vamos começar a andar ao lado de gigantescos blocos de pedra, que por vez forma pequenas grutas. A subida vai ficar cada vez mais íngreme e escorregadia devido a palha de bambu e folhas secas que forram o chão nos obrigando a diminuir um pouco o ritmo e de vez em quando somos obrigados a usar a mão para nos auxiliar nessa ascensão, e vamos assim durante 40 minutos até chegar no incrível mirante do frade que fica exatamente no início do selado que faz a ligação com a Pedra.
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O mirante do Frade em minha opinião é o ponto forte de toda caminhada, nesse ponto podemos ver o pináculo debruçado sobre a baia de Angra em seu angulo mais desafiador e impressionante nos causando um friozinho na barriga, ainda mais para quem faz pela primeira vez. Após uma breve parada para um descanso e também para tirar muitas fotos seguimos caminhado sobre o topo de uma crista subindo e descendo levemente em meio aos bambus e bromélias que dominam a paisagem, e 10 minutos depois alcançamos a base da Pedra propriamente dita. Agora basta contorná-la pela direita por mais ou menos 30 minutos, ora nos afastando ora próximo dela, através do corredor de pedras menores que com alguns locais para um bivaque ou até mesmo um pequeno acampamento ao pé da pedra-mor, com bons lugares planos e arenosos, mas se acampar neste ponto é bom não chover, pois a pedra vai canalizar toda a água alagando esses lugares mais planos.
Já quase dando a volta na base da pedra, a trilha desce um pouco para logo chegar no ponto de maior dificuldade: a "canaleta final" que dá acesso ao cume onde a trilha vira um verdadeiro toca “pra cima” íngreme, quase uma escalaminhada vertical através de raízes, pedras, mata e musgos, nos obrigando a agarrar firmemente nas pedras escorregadias utilizando raízes e troncos sobressaltados como degraus pouco confiáveis, onde todo cuidado é pouco. Alguns minutos depois de entrar na canaleta começaremos a subir através de uma “escadinha” podre de madeira caindo aos pedaços onde existem algumas cordas que nos auxiliam nessa escalada dispensando degraus menos confiáveis deteriorados pela umidade e terra ao redor, mas também não podemos confiar totalmente nessas cordas, pois elas ficam sobre o tempo e também se deterioram. Logo depois do sufoco se descortinará os primeiros belos visuais, mais ainda falta mais um trechinho... o ataque final com mais uma escalaminhada bem fácil e uma crista rochosa para se chegar no mirante da face oeste do Frade que aponta para uma infinidade de escarpados morros enfileirados que fazem parte dessa bela serra. A subida da canaleta até o mirante da face oeste leva em média uns 20 minutos.
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Chegando nesse mirante é hora de sentar e admirar toda essa beleza, nesse momento vamos estar cansados, extasiados e com a certeza que essa dura caminha é pouco por essa maravilha que podemos desfrutar e compartilhar com nossos amigos. Depois do mirante seguimos para a direita, passando por uma matilha chegando bem meio da pedra no local do primeiro acampamento, que é plano, com chão de terra batida e um pouco protegido. Nesse acampamento dá para armar por volta de quatro barracas. Saindo do acampamento por uma saída a direita chegaremos no principal mirante da Pedra do Frade, é desse mirante que o Frade revela toda beleza em sua volta. De lá podemos apreciar boa parte do recortado litoral de Angra salpicada com dezenas de ilhas, é possível ver boa parte da Serra da Bocaina e também muitas montanhas recém criado parque do Cunhambebe, com as Três Orelhas e o imponente Pão de Açúcar de Mangaratiba. Existe um segundo acampamento, descendo do mirante principal para a esquerda colado na pedra, repare que tem uma entradinha que sai em uma gruta de pedras onde devemos passar por dentro, descendo, para subir do outro lado já nesse segundo acampamento. Esse acampamento dá para no máximo para duas barracas pequenas, mas em compensação tem um mirante magnífico e exclusivo, que em minha opinião tem um visual melhor visual de toda Pedra do Frade! Enjoy!
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Volta: Pedra do Frade x Vila do Frade
Como já informei anteriormente a trilha de descida mais rápida é a que começa perto da Gruta dos Alemães e sai na BR101 em Angra dos Reis, passando pela comunidade denominada de Vila do Frade, que é vizinha ao Hotel do Frade, só que a passagem pelo hotel (que é bem mais rápida) está proibida, então nos resta sair pela comunidade mesmo, mas não vejo o menor problema nisso. A grande jogada desse caminho é que a trilha acaba bem na BR101 o que facilita muito a nossa logística. Do final da trilha é só pegar um ônibus comum que passa a todo momento até a rodoviária de Angra dos Reis e de lá um outro para a sua cidade.
Nessa trilha nem tudo é alegria, e afirmo que ela não é para todos os grupos, pois é uma trilha bem tênue, íngreme e indefinida sobre copas de grandes árvores de nossa Mata Atlântica e para piorar a situação ainda tem algumas trilhas alternativas abertas por palmiteiros que nos confundem um pouco, então se seu grupo não estiver acostumado a ambiente como esse, volte pela mesma trilha de acesso ao Frade.
Desça do cume da Pedra do Frade volte até uns 200 metros antes de chegar na Gruta dos Alemães e tente achar uma trilha saindo pela sua direita (direita de quem desce), durante a descida você vai passar pela escalaminhada, pelo selado, pelo mirante, pela forte descida com os grandes blocos de pedra e vai sair em um local mais ou menos plano com altas árvores meio que espaçadas um pouco antes (200 metros) da gruta. Nesse local é até possível ver algum resquício de material de caçador, como alguma armadilha velha, material para tocaia ou lixo de acampamento. Um dos pontos mais difíceis dessa trilha é achar a conexão nesse ponto com a trilha de descida, mas se procurar com cuidado vai achar. Depois de 3 minutos já andando na trilha de descida você vai passar por uma grande pedra que forma uma gruta com uma pedra arredondada menor bem na sua frente, então a grande dica é achar essa gruta com e pedra arredondada, pois a trilha de descida passa pelo lado esquerdo dessa gruta.
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Nessa íngreme descida até a BR, precisamos tentar ler o rastro da trilha com atenção, que por vez está bem marcado, mas por outra bem tênue e precisamos também nos guiar pelas marcas de facão que riscam os troncos das árvores e por muitas vezes por um saco azul que está amarrado em muitos troncos ou jogados no chão. A partir da gruta a trilha segue mais ou menos plana no sentido nordeste até chegarmos em um rio em 20 minutos de caminhada. Depois de passar pelo rio a trilha muda de direção indo primeiro para o sudeste e logo depois para o sul onde passaremos por algumas pedras grandes, por mais um riacho, por um leito de rio seco e chegaremos uma grande pedra que forma uma grutinha que pode ser usada para um bivaque meio improvisado. Desde o primeiro rio até aqui andamos cerca de 1 hora em uma trilha bem inclinada que de vez em quando é até possível ver o dedo rochoso do Pico do Frade entre as muitas altas árvores.
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Com mais um minuto passaremos por outra grande pedra e logo a trilha muda de direção indo para o nordeste onde passaremos por uma laje de rio em um pouco mais de 5 minutos e com mais 5 por mais um riacho. Um pouco depois do último riacho a trilha começa novamente a mudar de direção indo para sudeste onde passaremos por alguns bambuzais e a cada passo a trilha fica cada vez mais íngreme o que nos força, por muitas vezes, a segurar nos troncos das árvores para nos ajudar a descer. Com 30 minutos de descida vertiginosa cruzaremos por dois riachos e logo depois a trilha fica mais ou menos plana para depois descer forte novamente onde devemos passar por uma bifurcação, onde deveremos seguir ainda reto pela principal, mais logo depois nos depararemos por uma bifurcação indo mais a direita, depois desse ponto a inclinação da trilha diminui e começaremos a escutar um barulhinho bem bucólico de uma queda d’água de um rio que também desce nessa vertente bem perto de onde estamos passando.
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O pior já passou, depois desse ponto a trilha fica cada vez mais plana, mais marcada e fácil de seguir. Depois de 20 minutos da última bifurcação, ou 40 do último rio passaremos por outra bifurcação que deveremos seguir para a direita descendo, em poucos minutos a trilha começa a mudar de direção começando ir para nordeste e logo depois passaremos por outra bifurcação onde devemos seguir reto descendo, em seguida por um ponto de água e logo após chegaremos em um local muito bonito com uma pequenina queda d’água, lugar obrigatório para uma parada para descansar, para tirar algumas fotos e para fazer um lanche reforçado. A partir desse ponto você já pode relaxar, agora a trilha fica muito mais fácil pois já estamos bem perto do limite do parque.
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Após a cachoeirinha chegaremos em uma estradinha que está tomada pela vegetação e logo de cara podemos já visualizar as torres de transmissão bem perto, se seguirmos nessa estradinha sentido sul sairemos nos fundos do Hotel do Frade, e esse é o caminho mais rápido para a BR, só que os seguranças estão barrando e criando confusão para quem entra nas terras do hotel dessa forma, então nossa alternativa é seguindo reto na trilha que continua perpendicularmente a estradinha na mesma direção que estávamos vindo, ou seja, assim que chegarmos nessa estradinha é só cruzá-la que e trilha continua do outro lado entrando na mata.
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A trilha agora fica muito larga e sobe um pequeno morrote, em um pouco mais de 5 minutos passaremos por uma placa nos indicando que estamos em uma propriedade privada, possivelmente nas terras do dito hotel, e com mais 2 minutos a vegetação abre um pouco nos revelando um lindo visual do litoral de Angra com suas ilhas bem de perto e também uma imensa cadeia de montanhas no fundo com destaque para o pontudo Pão de Açúcar de Mangaratiba. Após passar ao lado direito de uma torre de alta tensão a trilha adentra a mata com uma vegetação de arbustos e de pequeno porte. A trilha segue ainda muito bem marcada, mas depois desse ponto passaremos por muitas bifurcações, mas praticamente todas saem na comunidade, aqui a questão é fazer o caminho mais curto. Com menos de 5 minutos após passar a torre entramos a esquerda em uma bifurcação e passaremos por um riacho Nesse ponto olhando para a direita no alto podemos ver o Frade de Angra em um angulo diferente que não lembra nada ao que estamos acostumados.
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Um pouco mais de 5 minutos pegaremos o caminho descendo em outra bifurcação seguindo o sentido leste. A partir desse ponto vão aparecer um monte de canos de água que servem para distribuir a água dos rios para as casas da comunidade que fica na encosta desse morro. Seguiremos por um tempo paralelo a um leito de rio com muitos canos e poucos minutos depois já conseguimos ver a nossa direita, entre as árvores, muitas casas da comunidade Vila do Frade. No final da trilha chegaremos no terreno de uma casa com algumas bananeiras e uma escada a direita descendo que dá acesso a comunidade. Precisamos descer uma série de escadas e rampas praticamente em linha reta, sem ter que entrar em nenhuma bifurcação Essa descida é rápida e em menos de 15 minutos já estaremos na BR101, já perto do ponto de ônibus e também perto de um bom restaurante para tomar uma cervejinha muito gelada para comemorar o final dessa incrível aventura.
Localização
A Pedra do Frade de Angra fica nos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina e é um dois pontos culminantes da cidade sul fluminense de Angra dos Reis.
Logística
Para quem quiser fazer um bate e volta indo e voltando por Bananal é possível ir de carro próprio, mas para quem quiser fazer alguma travessia, entrando por Bananal e saindo por Angra o por Mambucaba o ideal é ir de ônibus até Barra Mansa ou até Bananal. Em Bananal, caso veio de ônibus você vai precisar contratar um transporte para subir a serra (mais de 30 quilômetros) para te deixar ou perto da trilha ou na pousada do Brejal.
Chegando em Barra Mansa você tem a opção de pegar um ônibus da viação Colitur que sai da própria rodoviária e que segue para Bananal ou pegar um taxi ou um transporte até Bananal. Se você tiver um grupo de no mínimo 3 pessoas já vale a pena contratar uma Kombi para te levar já da rodoviária de Barra Mansa direto até a pousada do Brejal ou até o começo da trilha, pois começa a ficar mais vantajoso financeiramente, pois normalmente os taxistas e motoristas de Kombi de Bananal cobram 50,00 reais para levar da Rodoviária até Bananal e com 3 pessoas praticamente empata com o preço do ônibus, além de ser mais cômodo e não precisa se preocupar com os horários do mesmo.
Se você optou ir de ônibus até Bananal você vai ter que também contratar uma Kombi para te levar no alto da serra, pois são mais de 30 quilômetros de subida contados da pracinha central de Bananal o que inviabiliza a subida a pé, a não ser que você tenha tempo de sobra. Normalmente o pessoal que faz esse serviço cobra entra 100,00 e 200,00 dependendo do número de pessoas, mas não ache que esse preço seja caro, pois é uma viajem de 1h:30min em uma estradinha bastante esburacada e se for com um grupo grande dá para ratear esse valor tranquilamente. Normalmente os motoristas de Taxi não fazem o trajeto Bananal x Brejal, mas também não custa nada tentar caso não encontre uma Kombi para esse trecho.
Contatos
  
Pousada Brejal:Proprietários: Carlinhos e Estefânia
Endereço: Rodovia SP247, Km33 - Cep:12850-000, Serra da Bocaina, Bananal, SP
Telefone: (24) 9993-3999
Site: www.cabbananal.com/brejal
  
Motoristas de Kombi:Gordo: (12) 9166-5289 / (12) 9112-2598 * Recomendado pelo Carlinhos da pousada Brejal
  
Motoristas de Taxi:Dirceu: (12) 9709-0044 / (12) 3116-1294
Zelair: (12) 9166-6549
Tônico: (12) 3116-5141
Paulinho: (12) 9709-1909
Deli (cunhado do Zelair): (12) 9103-0713
Orelhão do ponto de Taxi de Bananal: (12) 3116-0423
Outros: (12) 3116-1185 / (12) 3116-1329
Por Bananal
De Carro:
Pela Rodovia BR116 (Via Dutra) siga até a cidade de Barra Mansa (RJ) e pegue a saída 273 (Km 237) para entrar no acesso da rodovia que segue até Bananal (SP) que primeiramente é a rodovia RJ155 para depois seguir pela SP68 (Rodovia dos Tropeiros). Em Bananal siga pela rodovia SP247 para subir a serra sentido bairro Brejal, no quilômetro 15 da SP247, siga pela direita, no quilômetro 22 o asfalto acaba e começamos a andar em uma estrada de terra bem razoável, normalmente ela fica pior no verão que é a época das chuvas. No quilômetro 26 seguir pela esquerda, pois a direita segue para o Sertão da Onça. No quilômetro 28 siga para a direita, a esquerda segue para o Sertão do Rio Vermelho. No quilometro 33 passaremos pela pousada Brejal que é o ponto de apoio dessa caminhada e no quilometro 37 chegaremos na pousada do Rio Mimoso.
De Ônibus:
Tanto para quem vem do Rio de Janeiro quanto de São Paulo o ideal é seguir para a cidade fluminense de Barra Mansa (RJ), pois lá existem diversos ônibus que seguem para Bananal. Para quem vem do Rio de Janeiro pegar o ônibus da Viação Cidade o Aço e para quem vem de São Paulo pegar o ônibus da viação Pássaro Marrom.
  
Ida: Barra Mansa (RJ) x Bananal (SP)Viação Colitur: 6:10hs, 7:10hs, 8:10hs, 9:40hs, 11:30hs, 13:20hs, 15:20hs, 17:20hs e 18:50hs
* Domingo não tem o ônibus das 6:10hs e 8:10hs.
Viação Rancho Grande: 7hs, 10:20hs, 13hs e 20hs.
  
Volta: Bananal (SP) x Barra Mansa (RJ)Viação Colitur: 6hs, 7hs, 8h, 9h, 10:40hs, 12:20hs, 14:20hs, 16:10hs e 18:10hs.
* Domingo não tem o ônibus das 7hs e 9hs
Viação Rancho Grande: 5:40hs, 8:20hs, 11:40hs, 15hs e 18:40hs
- Colitur: (24) 3323-4151 / (24) 3323-8640 / (24) 3323-1480
- Rodoviária de Barra Mansa: (24) 3323-4091 / (24) 3322-4275
Distâncias das Capitais (Bananal):
  
Rio de Janeiro (RJ): 145 km  
São Paulo (SP): 308 km  
Belo Horizonte (RJ): 508 km  
Brasília (DF): 1281 kmOutras cidades (Bananal):
  
Arapeí (SP): 18 km  
Barra Mansa (RJ): 27 km  
Paranapiacaba: 81 km  
Angra dos Reis (RJ): 97 km  
Paraty (RJ): 168 km  
São Luiz do Paraitinga (SP): 198 km  
Cunha (SP): 202 km ou 130 km com 16 km de estrada de terraQuando Ir
A melhor época de subir a Pedra do Frade de Angra é o inverno, porque chove menos ficando a caminhada mais segura, as trilhas mais secas, menos escorregadias, o céu mais limpo e o rio com uma menor vazão o que nos ajuda a atravessá-lo, mas em compensação o frio é intenso no alto da serra. Nas demais estações é possível ir, mas esteja preparado para andar duramente nos charcos e para chuvas principalmente no final da tarde. No verão as temperaturas podem chegar perto dos 40°C.
Acampamento
Normalmente o pessoal acampa no cume do Frade de Angra, mas o mesmo é um pouco desprotegido e possui dois lugares para acampar. No cume propriamente dito deve dar apertado para quatro barracas pequenas, e um pouco mais para baixo, no sentido contrario da crista subida tem um outro local onde também é possível acampar, mas esse local é bem pequeno cabendo no máximo para duas barracas pequenas. Não existe água perto do cume, o ideal é levar água para o acampamento desde a Gruta dos Alemães.
Existe também a possibilidade de acampar na base da Pedra em alguns lugares planos com solo de areia, mas só acampe nesse local se não chover, pois a pedra canaliza toda água para esses lugares mais planos. Também podemos armar uma ou duas barracas na boca da Gruta dos Alemães, no interior não, pois o solo é muito irregular.
Mapa Dinâmico
Mapa das Trilhas da Pedra do Frade
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Quem quiser o Mapa das Trilhas da Pedra do Frade a em tamanho grande, favor solicitá-lo no e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Para esclarecer suas dúvidas, ou para pegar algumas dicas nos envie também um e-mail.
Mapa das Trilhas do Parna Bocaina
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Para quem quiser, também, o Mapa da Serra da Bocaina em tamanho grande, favor solicitá-lo no e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
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comentários
Eu tenho casa no Frade, e há anos tenho vontade de fazer essa trilha. Vou me programar para fazê-la.
Obrigado pelas dicas.
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