Na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, encontramos um imenso planalto que termina abruptamente em incríveis penhascos que despencam verticalmente a mais de 1.000 metros de altura até a planície litorânea. Eles são forrados por lindos campos salpicados por bosques de araucárias, de cujas bordas despencam belíssimas cachoeiras que se transformam em névoa úmida antes de tocar no solo. É nesse clima frio e peculiar com a cerração envolvendo essas formações que encontramos um perfeito lugar para belas caminhadas. Este é o cenário onde se encontra o maior agrupamento de cânions da América Latina, são cerca de 250 km dessa singular muralha que fica aproximadamente a 200 km de Porto Alegre.
Essa região denominada como Serra Geral, foi habitada originalmente por vários povos indígenas de origem tupi¬-guarani que caçavam com armas semelhantes a boleadeiras. Eles buscavam proteção de Tupã se confraternizando ao redor de fogueiras feitas em buracos no chão - para que o vento forte que sopra na região não apagasse - bebendo chá feito com a folha da erva mate moída, misturada à água quente. Muitos costumes dos gaúchos se originaram destes, e perduram até os dias de hoje. A região também foi palco de grandes lutas históricas como as primeiras que aconteceram entre os colonizadores e os índios. Mais tarde, em meados do século XIX, sediou algumas das mais importantes batalhas da Guerra dos Farrapos.
Impressionado com a beleza que a natureza havia criado tão meticulosamente nessas serras, o homem resolveu preservar. Em 1959, o Governo Federal decretou a criação do Parque Nacional de Aparados da Serra, que inicialmente continha apenas as áreas altas que atualmente pertencem ao município de Cambará do Sul, mas em 1972 foi adicionado no parque cerca de 5.000 (ha) das planícies litorâneas do território catarinense pertencentes ao município de Praia Grande, estabelecendo-se uma área total de 13.082,00 (ha). A inclusão da parte catarinense foi importante, pois garantiu a preservação da mata nativa existente naquela área.
Mesmo com a criação e a ampliação do parque, a devastação e exploração dos recursos naturais na Serra Geral cresceu; principalmente a da madeira com a derrubada indiscriminada de araucárias. Então se viu que era necessário aumentar ainda mais a área preservada. Como o aumento de uma área de um parque é um processo muito demorado - porque é necessário aprovação no Congresso Federal - resolveu-se então criar uma nova unidade de conservação. Foi então que o presidente da época Fernando Collor de Mello assinou em 1992 o decreto para a criação do Parque Nacional da Serra Geral com uma área de 17.333,00 (ha). Esse parque está formalmente criado, mas nem seu plano de manejo e nem os processos de desapropriação estão finalizados, mesmo assim é permitido o acesso dos montanhistas e aventureiros aos seus cânions, como o Fortaleza, Churriado e Malacara.
Uma boa sugestão de roteiro para um fim-de-semana é no sábado fazer as caminhadas do Cânion Fortaleza e se sobrar um tempinho dar um mergulho refrescante na piscina natural de águas cristalinas formada pela Cachoeira do Venâncio. No domingo, a sugestão é fazer a incrível travessia que vai bordejando os cânions do Parque Nacional da Serra Geral. Essa travessia é uma caminhada de 6 a 8 horas, num percurso de 23 km.
  
Altitude Máxima: 1.403 m (Monte Negro localizado na cidade de São José dos Ausentes - fora da área do parque).
  
Área: 17.300 hectares.
  
Clima: temperado, mesotérmico brando superúmido, sem seca.
  
Temperaturas: Média anual de 18 a 20ºC, máxima absoluta de 34 a 36ºC e mínima absoluta de -8 a -4ºC.
  
Chuvas: Entre 1500 e 2000 mm anuais.
  
Relevo: tabular, com canyons profundos.
  
Atração: paisagem.
  
Mirante do Cânion Fortaleza: Siga mais 4 km nessa estrada e estacione. A trilha que começa nesse ponto é conhecida como Trilha do Mirante. Ela é uma trilha leve de 30 minutos que nos leva a 1.117 metros de altitude de onde se tem uma visão espetacular do Fortaleza. É possível ver praticamente 95% do cânion, inclusive a Cachoeira Fortaleza. Se der sorte e o tempo ficar muito bom, é possível ver até o litoral catarinense, inclusive a cidade de Torres que fica a 30 km dali.
O Cânion Fortaleza é o maior da região e tem esse nome pelo formato de suas paredes extremamente verdes, que foram entalhadas verticalmente na rocha formando um gigantesco “V”, lembrando uma imensa fortaleza que se estende por cerca de 7,5 km de comprimento, com 30 km de bordas e em alguns pontos com 900 m de profundidade.
  
Cachoeira do Tigre Preto e Pedra do Segredo: Voltando de carro na estrada (cerca de 2,5 km), estaciona-se o carro perto de uma ponte de concreto para mais uma caminhada. Essa trilha é conhecida como Trilha para a Cachoeira do Tigre Preto e Pedra do Segredo. A trilha começa ao lado esquerdo (sentido Cambará-Fortaleza) da estrada, indo para noroeste. Essa trilha é bem leve e muito bem marcada. A trilha acompanhará por 800 metros a margem esquerda do Arroio do Segredo, até o alto da Cachoeira do Tigre Preto. Chegando nesse ponto, atravesse o arroio por cima das pedras, com cuidado, pois essas pedras são bem lisas e escorregadias. Seguindo a trilha por mais 5 minutos, chega-se em um mirante onde pode-se contemplar toda a beleza da cachoeira de frente, que com suas três quedas atinge mais de 400 metros de altura. Continuando por mais 5 minutos chega-se ao mirante da Pedra do Segredo, que é um bloco monolítico de cinco metros de altura e de aproximadamente 30 toneladas, mas o que surpreende é o fato dessa pedra estar equilibrada em uma pequena base de cinqüenta centímetros.
  
Cânion Malacara por baixo: Trilha moderada, com 3 horas de caminhada (ida e volta). Inicia-se a 6 km de Praia Grande, na Vila Rosa, ao lado do Refúgio Ecológico Pedra Afiada. Segue-se o rio, atravessando-o em alguns pontos, passando por pedras grandes e desfrutando banhos em piscinas naturais.
  
Cânion dos Índios: Trilha fácil, com 20 minutos de caminhada em direção norte. Subindo a Serra do Faxinal (estrada que liga Praia Grande à Cambará do Sul), ao lado do posto fiscal começa essa trilha.
  
Cânion Faxinalzinho: Trilha difícil, com 2 horas de caminhada. A visibilidade é prejudicada pela mata densa, é pouco visitada. O acesso é feito pela antiga estrada que levava ao Itaimbezinho, após 3 km, vire a esquerda junto a alguns eucaliptos, depois siga por estrada ruim até uma Fazenda e desse ponto começa a caminhada. O Faxinalzinho tem 7 Km de extensão e fica ao sul do cânion Itaimbezinho.
  
Monte Negro: O Monte Negro fica a 1403 metros de altitude em relação ao nível do mar, tornando-se o ponto mais alto do Estado do Rio Grande do Sul. Percorrendo 45 quilômetros de São José dos Ausentes com acesso por estradas de terra, chega-se ao canyon com seus paredões de basalto deixa a paisagem ainda mais fascinante.
  
Cachoeira dos Venâncios: Se você quiser se refrescar depois das caminhadas, uma boa idéia é ir para a Cachoeira do Venâncio, que está localizada a uns 20 km depois da cidade de Cambará do Sul. A cachoeira é formada pelo Rio Camisas que se afunila de repente criando uma seqüência de quedas d'água cristalinas de diferentes níveis. Suas quedas são de 12 metros deságuam numa grande piscina natural que é excelente para um banho. A primeira queda se destaca por despencar por um paredão de 100 m de largura. Essa cachoeira é conhecida localmente como “mini Foz do Iguaçu” pela semelhança com as cataratas do Paraná, só que em um tamanho bem reduzido. Para completar o cenário, a cachoeira está cercada por uma exuberante mata ciliar salpicadas de araucárias.
Para chegar à Cachoeira dos Venâncios, saia do parque e volte para a cidade de Cambará do Sul, a partir da cidade pegue a RS-020 e ande cerca de 8 km até o acesso para a cidade de Jaquirana. A partir desse ponto, ande mais 13 km até a Fazenda Cachoeira. O local ainda é pouco freqüentado, o que o torna ainda mais charmoso. A cachoeira fica em uma propriedade privada onde se permite o camping, mas tanto o camping como a visitação da cachoeira são pagos.
  
Lajeado da Margarida: Este local é um verdadeiro recanto para descansar. Fica a 12 km do centro da cidade. O lajeado, formado pelo Rio Camisas, tem mais de 50 metros de extensão. As pequenas quedas d´água e as piscinas naturais são um convite para o banho. Ao redor, muito campo e árvores nativas, ideal para piqueniques. Algumas fazendas e agências de turismo realizam trekking e passeio a cavalo no local.
  
Vale Xokleng: Como muitos tesouros naturais da região dos Campos de Cima da Serra, o Vale Xokleng a pouco foi descoberto e passou a ser considerado um atrativo turístico. Fica a 15 km da cidade, na Fazenda Potreiro, e possui belas e misteriosas atrações, como a cachoeira que esconde um cemitério indígena.
É necessário atravessar a cortina d’água da cachoeira para encontrar a gruta onde estão dezenas de ossos humanos. São vestígios de um passado sem data registrada. Segundo os proprietários da fazenda, a ossada está depositada no local há centenas de anos e provavelmente sejam de índios da tribo Kaingang (ou Caingangues).
Eles foram os primeiros habitantes da região. Alimentavam-se de pinhão. A gruta atrás da cachoeira pode ter sido um dos locais escolhidos pela tribo para guardar os restos mortais de seus entes queridos.
Além das ossadas há ainda outros misteriosos objetos dentro da gruta, como uma cruz rústica de madeira e uma santa dentro de uma pequena capela. Objetos mais recentes e que ninguém consegue explicar porque estão juntos ao cemitério indígena.
A cachoeira fica numa propriedade particular e a visitação é feita somente através das agências locais de turismo.
Coexistem na área a Floresta com Araucária, Campos e a Floresta Pluvial Atlântica, assim como as zonas de transição entre elas. Na Floresta com Araucária destaca-se: o pinheiro-do-paraná, a aroeira, o carvalho, a caúna e o pinheirinho-bravo. Nos Campos predominam as gramíneas. Na Floresta Pluvial Atlântica encontram-se várias espécies como: a maria-mole e a cangerana.
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a suçuarana (Felis concolor) e o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) são avistados apenas nos locais de mais difícil acesso. Entre as aves estão o gavião-pato (Spizaetus tirannus) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), que se encontram ameaçados de extinção. Encontram-se também ofídios peçonhentos.
Sua formação iniciou entre 130 e 115 milhões de anos atrás com a separação dos continentes como os conhecemos hoje. Mais precisamente a separação da América do Sul da África. Processos tectônicos, vulcânicos e erosivos criaram a serra e uma variedade de falhas que resultaram nos cânions. O processo de erosão natural continua e é provocado principalmente pelas águas dos rios e da chuva que tem dificuldade em penetrar no solo devido às rochas basálticas. Estas águas procuram, sobre o planalto rochoso, caminhos mais fáceis. Descem pequenos declives escorrendo pelos campos e florestas com araucárias até desabarem em belíssimas cachoeiras permanentes ou vistas somente após uma forte chuva.
O Parque Nacional da Serra Geral está localizado bem na divisa dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina a mais ou menos 100 quilometros do litoral. A área do parque engloba parte das terras do municipio riograndense de Cambará do Sul e do municipio catarinense de Praia Grande.
O clima é Mesotérmico brando superúmido sem seca. As temperaturas médias anuais estão entre 18 a 20° C, com máxima absoluta de 34 a 36° C e mínima absoluta de - 8 a - 4° C. A pluviosidade está entre 1.500 e 2.000 mm anuais.
O relevo sul catarinense é acentuado com montanhas e vales profundos, que recortam a borda do planalto. O lado rio-grandense é caracterizado por coxilhas suaves e vales rasos. Sem transição, as ondulações suaves dão lugar à paredões verticais e rochas basálticas.
A cidade base para visitar as belezas da parte de cima da Serra Geral, popularmente chamada de "Campos de Cima da Serra" é o município riograndense de Cambará do Sul que fica aproximadamente a 200 km da capital Porto Alegre. A estrada de acesso para o parque para apreciar o Cânion Fortaleza é a rodovia CS-08 que é a própria continuação da avenida principal da cidade. Até a portaria do parque são aproximadamente 18 km de estrada de terra de uma boa conservação. Como esse parque não possui estrutura (apenas um banheiro público nesse posto de fiscalização do Ibama) a entrada no parque é gratuita.
O ano todo. As paisagens ficam mais nítidas no inverno (junho a agosto) mas também é bem frio. No verão, há possibilidade de chuvas repentinas, mas dá para tomar um bom banho de rio. Evite visitas em setembro, mês de muitas chuvas e pouca visibilidade.
2006-08 - Cânions da Serra Geral
Mapa Imagem de Satélite
Mapa de Localização Municípal, Estadual e Brasil
Mapa de Localização Regional
Tracklogs da Serra Geral - RS / SC
No passado, quando os parques de conservação ainda não haviam sido criados era permitido acampar dentro dos parques. Hoje, por medida de segurança e preservação ambiental, esta prática está proibida. Para quem curte o campismo há propriedades em Cambará do Sul que oferecem áreas próprias e repletas de beleza natural:
  
Camping da Pousada Pindorama - Tel. (54) 3251.1225;
  
Camping da Pousada Pampa Rural - Tel. (54) 3251.1279;
  
Camping da Pousada Corucacas - Tel. (54) 3251.1123;
  
Camping na Fazenda Cachoeira dos Venâncios.
  
Porto Alegre (RS) 200 km
  
Florianópolis (SC) 320 km
  
São Paulo (SP) 1.003 km
  
Rio de Janeiro (RJ) 1.432 km
  
Belo Horizonte (MG) 1.584 km
  
Brasília (DF) 2.030 km
  
Salvador (BA) 3.055 km
  
Dias e horários de visitação: Segunda a domingo, das 8h às 17h. Durante o horário de verão é permitida a entrada até às 18h.
  
Ingresso: Entrada gratuita
  
Estacionamento: Gratuito
  
Infra-estrutura oferecida: Banheiro público no posto de fiscalização do Ibama, na entrada do cânion Fortaleza.
  
Direção dos parques: (54) 3251.1277 / 3504.5289 / 3251.1262
  
Centro de Informações Turísticas: (54) 3251.1320
  
Para fazer qualquer caminhada nas bordas dos cânions, dê preferência em ir bem cedo, pois na parte da tarde é mais provável acontecer o fenômeno chamado de viração, que é uma neblina espessa que surge rapidamente, dificultando muito os deslocamentos nas áreas dos cânions. Esse fenômeno acontece pela diferença de temperatura e pressão entre o litoral e a serra, e faz com que as nuvens subam rapidamente por dentro dos cânions.
  
Caso se perca durante a travessia, não tente ir para o interior mesmo se tiver alguma trilha, pois pode ser alguma carreira marcada pelo gado da região, tente sempre se guiar pelas bordas dos cânions.
  
Para fazer essa travessia, combine com alguém para te levar e buscar, pois a cidade de Cambará do Sul fica a mais de 20 km do começo e do fim da travessia. Se você for dirigindo, a sugestão é ir até o começo do Cânion Malacara e voltar até onde deixou o carro. Na volta, na altura do vértice do Cânion Churriado, você não precisará ir sempre beirando os penhascos; do vértice pode-se seguir reto até a segunda porteira da travessia que fica perto de onde começa o Cânion Leão.
  
Para fazer as caminhadas leve uma mochila de ataque, uma garrafinha para água, um lanche, lanterna, pilhas reservas, e um bom casaco, pois nessa região costuma fazer muito frio. Procure reservar uma pousada com uma certa antecedência, pois existem poucas na cidade. Caso você queira acampar, leve material de camping (barraca, um bom saco de dormir e isolante térmico), mas atenção: não é permitido o camping dentro do parque, somente em propriedades privadas.
  
Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto.
Adote uma Montanha
Parque Nacional da Serra Geral
Parque Nacional da Serra Geral
Descrição
Na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, encontramos um imenso planalto que termina abruptamente em incríveis penhascos que despencam verticalmente a mais de 1.000 metros de altura até a planície litorânea. Eles são forrados por lindos campos salpicados por bosques de araucárias, de cujas bordas despencam belíssimas cachoeiras que se transformam em névoa úmida antes de tocar no solo. É nesse clima frio e peculiar com a cerração envolvendo essas formações que encontramos um perfeito lugar para belas caminhadas. Este é o cenário onde se encontra o maior agrupamento de cânions da América Latina, são cerca de 250 km dessa singular muralha que fica aproximadamente a 200 km de Porto Alegre.
Essa região denominada como Serra Geral, foi habitada originalmente por vários povos indígenas de origem tupi¬-guarani que caçavam com armas semelhantes a boleadeiras. Eles buscavam proteção de Tupã se confraternizando ao redor de fogueiras feitas em buracos no chão - para que o vento forte que sopra na região não apagasse - bebendo chá feito com a folha da erva mate moída, misturada à água quente. Muitos costumes dos gaúchos se originaram destes, e perduram até os dias de hoje. A região também foi palco de grandes lutas históricas como as primeiras que aconteceram entre os colonizadores e os índios. Mais tarde, em meados do século XIX, sediou algumas das mais importantes batalhas da Guerra dos Farrapos.
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Impressionado com a beleza que a natureza havia criado tão meticulosamente nessas serras, o homem resolveu preservar. Em 1959, o Governo Federal decretou a criação do Parque Nacional de Aparados da Serra, que inicialmente continha apenas as áreas altas que atualmente pertencem ao município de Cambará do Sul, mas em 1972 foi adicionado no parque cerca de 5.000 (ha) das planícies litorâneas do território catarinense pertencentes ao município de Praia Grande, estabelecendo-se uma área total de 13.082,00 (ha). A inclusão da parte catarinense foi importante, pois garantiu a preservação da mata nativa existente naquela área.
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Mesmo com a criação e a ampliação do parque, a devastação e exploração dos recursos naturais na Serra Geral cresceu; principalmente a da madeira com a derrubada indiscriminada de araucárias. Então se viu que era necessário aumentar ainda mais a área preservada. Como o aumento de uma área de um parque é um processo muito demorado - porque é necessário aprovação no Congresso Federal - resolveu-se então criar uma nova unidade de conservação. Foi então que o presidente da época Fernando Collor de Mello assinou em 1992 o decreto para a criação do Parque Nacional da Serra Geral com uma área de 17.333,00 (ha). Esse parque está formalmente criado, mas nem seu plano de manejo e nem os processos de desapropriação estão finalizados, mesmo assim é permitido o acesso dos montanhistas e aventureiros aos seus cânions, como o Fortaleza, Churriado e Malacara.
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Uma boa sugestão de roteiro para um fim-de-semana é no sábado fazer as caminhadas do Cânion Fortaleza e se sobrar um tempinho dar um mergulho refrescante na piscina natural de águas cristalinas formada pela Cachoeira do Venâncio. No domingo, a sugestão é fazer a incrível travessia que vai bordejando os cânions do Parque Nacional da Serra Geral. Essa travessia é uma caminhada de 6 a 8 horas, num percurso de 23 km.
  
Altitude Máxima: 1.403 m (Monte Negro localizado na cidade de São José dos Ausentes - fora da área do parque).  
Área: 17.300 hectares.  
Clima: temperado, mesotérmico brando superúmido, sem seca.  
Temperaturas: Média anual de 18 a 20ºC, máxima absoluta de 34 a 36ºC e mínima absoluta de -8 a -4ºC.  
Chuvas: Entre 1500 e 2000 mm anuais.  
Relevo: tabular, com canyons profundos.  
Atração: paisagem.Atrações
No Parque Nacional da Serra Geral
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Mirante do Cânion Fortaleza: Siga mais 4 km nessa estrada e estacione. A trilha que começa nesse ponto é conhecida como Trilha do Mirante. Ela é uma trilha leve de 30 minutos que nos leva a 1.117 metros de altitude de onde se tem uma visão espetacular do Fortaleza. É possível ver praticamente 95% do cânion, inclusive a Cachoeira Fortaleza. Se der sorte e o tempo ficar muito bom, é possível ver até o litoral catarinense, inclusive a cidade de Torres que fica a 30 km dali.|
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O Cânion Fortaleza é o maior da região e tem esse nome pelo formato de suas paredes extremamente verdes, que foram entalhadas verticalmente na rocha formando um gigantesco “V”, lembrando uma imensa fortaleza que se estende por cerca de 7,5 km de comprimento, com 30 km de bordas e em alguns pontos com 900 m de profundidade.
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Cachoeira do Tigre Preto e Pedra do Segredo: Voltando de carro na estrada (cerca de 2,5 km), estaciona-se o carro perto de uma ponte de concreto para mais uma caminhada. Essa trilha é conhecida como Trilha para a Cachoeira do Tigre Preto e Pedra do Segredo. A trilha começa ao lado esquerdo (sentido Cambará-Fortaleza) da estrada, indo para noroeste. Essa trilha é bem leve e muito bem marcada. A trilha acompanhará por 800 metros a margem esquerda do Arroio do Segredo, até o alto da Cachoeira do Tigre Preto. Chegando nesse ponto, atravesse o arroio por cima das pedras, com cuidado, pois essas pedras são bem lisas e escorregadias. Seguindo a trilha por mais 5 minutos, chega-se em um mirante onde pode-se contemplar toda a beleza da cachoeira de frente, que com suas três quedas atinge mais de 400 metros de altura. Continuando por mais 5 minutos chega-se ao mirante da Pedra do Segredo, que é um bloco monolítico de cinco metros de altura e de aproximadamente 30 toneladas, mas o que surpreende é o fato dessa pedra estar equilibrada em uma pequena base de cinqüenta centímetros.|
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Cânion Malacara por baixo: Trilha moderada, com 3 horas de caminhada (ida e volta). Inicia-se a 6 km de Praia Grande, na Vila Rosa, ao lado do Refúgio Ecológico Pedra Afiada. Segue-se o rio, atravessando-o em alguns pontos, passando por pedras grandes e desfrutando banhos em piscinas naturais.  
Cânion dos Índios: Trilha fácil, com 20 minutos de caminhada em direção norte. Subindo a Serra do Faxinal (estrada que liga Praia Grande à Cambará do Sul), ao lado do posto fiscal começa essa trilha.  
Cânion Faxinalzinho: Trilha difícil, com 2 horas de caminhada. A visibilidade é prejudicada pela mata densa, é pouco visitada. O acesso é feito pela antiga estrada que levava ao Itaimbezinho, após 3 km, vire a esquerda junto a alguns eucaliptos, depois siga por estrada ruim até uma Fazenda e desse ponto começa a caminhada. O Faxinalzinho tem 7 Km de extensão e fica ao sul do cânion Itaimbezinho.Trilhas fora do Parques da Serra Geral
  
Monte Negro: O Monte Negro fica a 1403 metros de altitude em relação ao nível do mar, tornando-se o ponto mais alto do Estado do Rio Grande do Sul. Percorrendo 45 quilômetros de São José dos Ausentes com acesso por estradas de terra, chega-se ao canyon com seus paredões de basalto deixa a paisagem ainda mais fascinante.  
Cachoeira dos Venâncios: Se você quiser se refrescar depois das caminhadas, uma boa idéia é ir para a Cachoeira do Venâncio, que está localizada a uns 20 km depois da cidade de Cambará do Sul. A cachoeira é formada pelo Rio Camisas que se afunila de repente criando uma seqüência de quedas d'água cristalinas de diferentes níveis. Suas quedas são de 12 metros deságuam numa grande piscina natural que é excelente para um banho. A primeira queda se destaca por despencar por um paredão de 100 m de largura. Essa cachoeira é conhecida localmente como “mini Foz do Iguaçu” pela semelhança com as cataratas do Paraná, só que em um tamanho bem reduzido. Para completar o cenário, a cachoeira está cercada por uma exuberante mata ciliar salpicadas de araucárias.Para chegar à Cachoeira dos Venâncios, saia do parque e volte para a cidade de Cambará do Sul, a partir da cidade pegue a RS-020 e ande cerca de 8 km até o acesso para a cidade de Jaquirana. A partir desse ponto, ande mais 13 km até a Fazenda Cachoeira. O local ainda é pouco freqüentado, o que o torna ainda mais charmoso. A cachoeira fica em uma propriedade privada onde se permite o camping, mas tanto o camping como a visitação da cachoeira são pagos.
  
Lajeado da Margarida: Este local é um verdadeiro recanto para descansar. Fica a 12 km do centro da cidade. O lajeado, formado pelo Rio Camisas, tem mais de 50 metros de extensão. As pequenas quedas d´água e as piscinas naturais são um convite para o banho. Ao redor, muito campo e árvores nativas, ideal para piqueniques. Algumas fazendas e agências de turismo realizam trekking e passeio a cavalo no local.  
Vale Xokleng: Como muitos tesouros naturais da região dos Campos de Cima da Serra, o Vale Xokleng a pouco foi descoberto e passou a ser considerado um atrativo turístico. Fica a 15 km da cidade, na Fazenda Potreiro, e possui belas e misteriosas atrações, como a cachoeira que esconde um cemitério indígena.É necessário atravessar a cortina d’água da cachoeira para encontrar a gruta onde estão dezenas de ossos humanos. São vestígios de um passado sem data registrada. Segundo os proprietários da fazenda, a ossada está depositada no local há centenas de anos e provavelmente sejam de índios da tribo Kaingang (ou Caingangues).
Eles foram os primeiros habitantes da região. Alimentavam-se de pinhão. A gruta atrás da cachoeira pode ter sido um dos locais escolhidos pela tribo para guardar os restos mortais de seus entes queridos.
Além das ossadas há ainda outros misteriosos objetos dentro da gruta, como uma cruz rústica de madeira e uma santa dentro de uma pequena capela. Objetos mais recentes e que ninguém consegue explicar porque estão juntos ao cemitério indígena.
A cachoeira fica numa propriedade particular e a visitação é feita somente através das agências locais de turismo.
Flora
Coexistem na área a Floresta com Araucária, Campos e a Floresta Pluvial Atlântica, assim como as zonas de transição entre elas. Na Floresta com Araucária destaca-se: o pinheiro-do-paraná, a aroeira, o carvalho, a caúna e o pinheirinho-bravo. Nos Campos predominam as gramíneas. Na Floresta Pluvial Atlântica encontram-se várias espécies como: a maria-mole e a cangerana.
Fauna
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a suçuarana (Felis concolor) e o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) são avistados apenas nos locais de mais difícil acesso. Entre as aves estão o gavião-pato (Spizaetus tirannus) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), que se encontram ameaçados de extinção. Encontram-se também ofídios peçonhentos.
Geologia
Sua formação iniciou entre 130 e 115 milhões de anos atrás com a separação dos continentes como os conhecemos hoje. Mais precisamente a separação da América do Sul da África. Processos tectônicos, vulcânicos e erosivos criaram a serra e uma variedade de falhas que resultaram nos cânions. O processo de erosão natural continua e é provocado principalmente pelas águas dos rios e da chuva que tem dificuldade em penetrar no solo devido às rochas basálticas. Estas águas procuram, sobre o planalto rochoso, caminhos mais fáceis. Descem pequenos declives escorrendo pelos campos e florestas com araucárias até desabarem em belíssimas cachoeiras permanentes ou vistas somente após uma forte chuva.
Localização
O Parque Nacional da Serra Geral está localizado bem na divisa dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina a mais ou menos 100 quilometros do litoral. A área do parque engloba parte das terras do municipio riograndense de Cambará do Sul e do municipio catarinense de Praia Grande.
Clima
O clima é Mesotérmico brando superúmido sem seca. As temperaturas médias anuais estão entre 18 a 20° C, com máxima absoluta de 34 a 36° C e mínima absoluta de - 8 a - 4° C. A pluviosidade está entre 1.500 e 2.000 mm anuais.
Relevo
O relevo sul catarinense é acentuado com montanhas e vales profundos, que recortam a borda do planalto. O lado rio-grandense é caracterizado por coxilhas suaves e vales rasos. Sem transição, as ondulações suaves dão lugar à paredões verticais e rochas basálticas.
Como Chegar
A cidade base para visitar as belezas da parte de cima da Serra Geral, popularmente chamada de "Campos de Cima da Serra" é o município riograndense de Cambará do Sul que fica aproximadamente a 200 km da capital Porto Alegre. A estrada de acesso para o parque para apreciar o Cânion Fortaleza é a rodovia CS-08 que é a própria continuação da avenida principal da cidade. Até a portaria do parque são aproximadamente 18 km de estrada de terra de uma boa conservação. Como esse parque não possui estrutura (apenas um banheiro público nesse posto de fiscalização do Ibama) a entrada no parque é gratuita.
Quando Ir
O ano todo. As paisagens ficam mais nítidas no inverno (junho a agosto) mas também é bem frio. No verão, há possibilidade de chuvas repentinas, mas dá para tomar um bom banho de rio. Evite visitas em setembro, mês de muitas chuvas e pouca visibilidade.
Mapa Dinâmico
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Acampamento
No passado, quando os parques de conservação ainda não haviam sido criados era permitido acampar dentro dos parques. Hoje, por medida de segurança e preservação ambiental, esta prática está proibida. Para quem curte o campismo há propriedades em Cambará do Sul que oferecem áreas próprias e repletas de beleza natural:
  
Camping da Pousada Pindorama - Tel. (54) 3251.1225;  
Camping da Pousada Pampa Rural - Tel. (54) 3251.1279;  
Camping da Pousada Corucacas - Tel. (54) 3251.1123;  
Camping na Fazenda Cachoeira dos Venâncios.Distâncias das Capitais
  
Porto Alegre (RS) 200 km  
Florianópolis (SC) 320 km  
São Paulo (SP) 1.003 km  
Rio de Janeiro (RJ) 1.432 km  
Belo Horizonte (MG) 1.584 km  
Brasília (DF) 2.030 km  
Salvador (BA) 3.055 kmInformações
  
Dias e horários de visitação: Segunda a domingo, das 8h às 17h. Durante o horário de verão é permitida a entrada até às 18h.  
Ingresso: Entrada gratuita  
Estacionamento: Gratuito  
Infra-estrutura oferecida: Banheiro público no posto de fiscalização do Ibama, na entrada do cânion Fortaleza.  
Direção dos parques: (54) 3251.1277 / 3504.5289 / 3251.1262  
Centro de Informações Turísticas: (54) 3251.1320Dicas
  
Para fazer qualquer caminhada nas bordas dos cânions, dê preferência em ir bem cedo, pois na parte da tarde é mais provável acontecer o fenômeno chamado de viração, que é uma neblina espessa que surge rapidamente, dificultando muito os deslocamentos nas áreas dos cânions. Esse fenômeno acontece pela diferença de temperatura e pressão entre o litoral e a serra, e faz com que as nuvens subam rapidamente por dentro dos cânions.  
Caso se perca durante a travessia, não tente ir para o interior mesmo se tiver alguma trilha, pois pode ser alguma carreira marcada pelo gado da região, tente sempre se guiar pelas bordas dos cânions.  
Para fazer essa travessia, combine com alguém para te levar e buscar, pois a cidade de Cambará do Sul fica a mais de 20 km do começo e do fim da travessia. Se você for dirigindo, a sugestão é ir até o começo do Cânion Malacara e voltar até onde deixou o carro. Na volta, na altura do vértice do Cânion Churriado, você não precisará ir sempre beirando os penhascos; do vértice pode-se seguir reto até a segunda porteira da travessia que fica perto de onde começa o Cânion Leão.  
Para fazer as caminhadas leve uma mochila de ataque, uma garrafinha para água, um lanche, lanterna, pilhas reservas, e um bom casaco, pois nessa região costuma fazer muito frio. Procure reservar uma pousada com uma certa antecedência, pois existem poucas na cidade. Caso você queira acampar, leve material de camping (barraca, um bom saco de dormir e isolante térmico), mas atenção: não é permitido o camping dentro do parque, somente em propriedades privadas.  
Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto.Tempo
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comentários
Olá Cristiano,
Você pode ir bem perto de carro comum mesmo, pois as estradas de terra são boas!
Bom passeio,
Hugo
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