O Pico da Neblina, localizado na Serra do Imeri, extremo norte do estado do Amazonas, bem na fronteira com a Venezuela é o ponto culminante do Brasil com seus 2.993,78 metros de altitude. O nome do Pico da Neblina deve-se ao fato de se encontrar praticamente o ano todo encoberto por nuvens e foi por essa característica que o escondeu até a década de 1950 quando o comandante Mário Jucá, da extinta Panair do Brasil, o identificou quando sobrevoava a região em num raro momento em que ele não estava encoberto pela espessa neblina.
Na década de 1950 não existiam instrumentos de precisão como o GPS, porém o comandante Jucá teria chegado a conclusão que o pico que estava sobrevoando era o maior do Brasil apenas olhando o altímetro barométrico de sua aeronave, nessa época acreditava-se que o Pico da Bandeira era o ponto mais alto do Brasil. Se para os brasileiros o pico era desconhecido, para os venezuelanos ele já era conhecido anteriormente como Cerro Jimé, e foi conquistado em 1954 numa expedição do eminente ornitologista venezuelano William H. Phelps Jr. e em sua homenagem, o pico às vezes é chamado de Cerro Phelps na Venezuela.
Em 1962, alguns pesquisadores brasileiros e venezuelanos sobrevoaram o maciço em vôos de reconhecimento, constatando que o Pico da Neblina está totalmente em território brasileiro, mais precisamente no município de Santa Isabel do Rio Negro, e a pouca distância do Pico 31 de Março, que é a verdadeira divisa entre o Brasil e a Venezuela. O 31 de Março é 21 metros mais baixo que o Neblina sendo a segunda maior montanha do Brasil e a montanha mais alta da Venezuela fora dos Andes.
A primeira expedição brasileira ao Pico da Neblina aconteceu em outubro de 1964, mas infelizmente não chegou a atingir o seu cume. Foi liderada pelo senhor Roldão e teve como participante o jornalista Carlos Marchesini que nos deixou a seguinte impressão: "Aquele era um mundo perdido, ainda intocado pelo homem", porém as autoridades brasileiras ainda se viam às voltas com litígios fronteiriços, problemas que se arrastavam sem solução através dos anos e foi por isso que em 1965 o Brasil decidiu dar um passo adiante na busca de uma solução definitiva para essas pendências, e para tanto enviou à região uma Comissão Mista de Limites liderada pelo general Ernesto Bandeira Coelho, e foi essa a primeira ascensão da montanha por brasileiros.
A região que está inserida o Pico da Neblina possui um dos ecossistemas amazônicos mais importantes, por essa razão foram realizados em 1978 alguns estudos pela diretoria do Departamento de Parques Nacionais e constataram a grande importância da criação de um parque nacional nessa região. Um requerimento encaminhado ao Presidente do IBDF (antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), seguiu para o Ministro da Agricultura da época e finalmente foi assinado pelo então presidente militar João Figueiredo, o decreto de criação do Parque Nacional do Pico da Neblina no dia 5 de junho de 1979 em homenagem ao dia mundial do Meio Ambiente.
O Parque Nacional do Pico da Neblina é um dois maiores parques brasileiro possuindo uma área de 2.200.000 há (dois milhões e duzentos mil hectares) que somados com a área do Parque Nacional Cerro de La Neblina, no lado venezuelano da fronteira, de aproximadamente 1.360.000 hectares, formam um dos maiores complexos bióticos protegidos do planeta, contribuindo para satisfazer o objetivo de se proteger uma amostra muito significativa e bem preservada da Floresta Amazônica.
Mesmo sendo um parque nacional e administrado pelo ICMBio, as terras do parque se sobrepões as terras demarcadas para os Yanomamis, por esse motivo é fundamental, para evitar ter sérios problemas com os índios durante a expedição, ter uma autorização prévia da Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes (AYRCA), documento liberado pelo presidente da associação e amplamente debatido com as lideranças indígenas, que questionam até mesmo os motivos e intenções da expedição.
Este maciço montanhoso inserido no meio da Floresta Amazônica há muito tempo vem chamando a atenção de aventureiros, cientistas e viajantes, que por lá passaram. Em 1908 o renomado botânico inglês Spruce escreveu a seguinte citação: "contudo, a mais admirável cena foram as montanhas que estavam atrás de mim, e que quando levantei e virei-me para vê-las, pareceram-me o mais fino tema para o pincel de um pintor que eu já tinha visto na América do Sul. Com palavras é impossível fazer justiça à cena"
  
Altitude: 2.993,78 m.
  
Administração: IcmBIO.
  
Carta Topográfica:
  
Atração: Paisagem, montanhas, formações rochosas, flora e fauna.
  
Dia 1
       
Manaus > São Gabriel da Cachoeira
A expedição para o Pico da Neblina e Pico 31 de Março começa normalmente na cidade de Manaus onde é necessário pegar um vôo até a pequena cidade de São Gabriel da Cachoeira (SGC), cidade amazonense às margens do Rio Negro, perto da divisa com a Venezuela e a Colômbia. O Neblina não está localizado nas terras de SGC, mas ela é a cidade com acesso mais fácil, motivo pelo qual ela é sempre usada como base para as expedições.
Do aeroporto até o centro da cidade da cidade de Manaus é necessário pegar alguma condução, normalmente pegamos alguns precários micro-ônibus que fazem a linha aeroporto x centro. O pernoite desse primeiro dia é normalmente feito em algum hotel no centro de SGC.
  
Dia 2
       
São Gabriel da Cachoeira > Praia dos Amores (Rio Cauaburis)
Hora de arrumar a mochila para embarcar na carroceria de alguma Toyota que nos levará até o quilometro 85 da BR-307 em uma viagem de 150 quilômetros. O tempo dessa viagem desde centro de SGC até o km 85 é muito variável devido a péssima condições da rodovia BR-307, normalmente essa viajem leva 4 horas para chegar ao rio Yá-mirim, caso a 4x4 não atole nenhuma vez. A partir das margens do Yá-mirim a viagem segue nas voaderias que são embarcações pequenas e velozes feitas de alumínio com motor de popa.
A partir desse ponto já começamos a ter contato com os índios locais, os Yanomamis, pois o Parque Nacional do Pico da Neblina está sobreposto em terras de uma reserva indígena, por isso para se entrar no parque é necessário pagar uma taxa para os Yanomamis, além de alugar a voadeira dos mesmos, pagar o combustível, mais o condutor e contratar dois carregadores da comunidade, mas mesmo assim você ainda corre o risco de ser barrado ao entrar na reserva indígena, é por isso que é muito importante um contato antecipado com a Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes (AYRCA).
A voadeira desce o Yá-Mirim e rapidamente adentra no rio Yá-grande, desse ponto já podemos apreciar toda grandeza de nossa floresta Amazônica, pois navegar pelos rios e igarapés da floresta é uma grande experiência e com certeza um diferencial dessa expedição.
Depois de mais algumas horas descendo o Yá-grande (ou Xihitima em Yanomami), alcançamos o rio Cauaburis (Paretota), no qual é preciso subir para se chegar à praia dos amores (devido as tartarugas que ficam por lá) onde é feito o pernoite desse dia.
  
Dia 3
       
Praia dos Amores (Rio Cauaburis) > Boca do Tucano
Após o café é preciso retornar as voadeiras para continuar a viagem pelo Cauaburi por onde seguiremos até chegar ao canal de Maturacá (Hepotexiwë), onde ocorre um belo encontro desses rios criando um efeito ao misturar as águas brancas com pretas.
A viagem de voadeira ainda continua por mais algumas horas até a Boca do Tucano, que é um acampamento às margens do Igarapé Tucano, que tem sua nascente lá na Serra do Neblina, no qual margearemos durante boa parte de nossa caminhada.
O pernoite desse dia é feito nesse acampamento, mas normalmente dormiremos sobre lonas e em redes para nos livrarmos dos enxames de insetos principalmente das famosas formigas Tucandeiras que dizem que a sua mordida gera 24 horas de dor, também para fugir dos animais que espreitam o chão e também para nos livrarmos de algum alagamento caso a chuva, que é muito comum o ano todo, não de uma trégua.
  
Dia 4
       
Boca do Tucano > Bebedouro Velho
Depois de alguns dias descansando esse é o dia que vamos começar a caminhar, nesse dia caminharemos cerca de 13 quilômetros debaixo da exuberante Floresta Amazônica nos deslumbrando com árvores gigantes, árvores pequenas, bichos, sons, igarapés, alagados até chegar no nosso próximo o acampamento: Bebedouro Velho (400 m de altitude), onde é feito o pernoite desse dia. Apesar de toda exuberância da floresta, essa caminhada não é nada fácil, além dos insetos, com certeza a umidade é um dos piores adversários.
Desse acampamento já podemos ter uma bela vista de nosso objetivo, de lá já é possível ver no horizonte o pontudo Pico da Neblina e seu irmão menor, o Pico 31 de Março.
O pernoite desse dia também é feito sobre lonas onde também dormiremos em redes, pelos mesmos motivos descritos acima.
  
Dia 5
       
Bebedouro Velho > Bebedouro Novo
Mais um dia de caminhada difícil, normalmente de baixo de muita chuva e um calor sufocante, caminharemos mais 12 quilômetros até o acampamento de Bebedouro Novo (860 m de altitude), onde faremos o pernoite desse dia também sobre lonas e em redes.
  
Dia 6
       
Bebedouro Novo > Acampamento Base
A caminhada desse dia é de apenas 6 quilômetros, mas essa pernada não é nada fácil, pois caminharemos até o acampamento base a 2.120 metros de altitude, com um desnível a ser superado de mais de 1.200 metros. Essa subida obviamente é muito íngreme e usaremos por muitas vezes as raízes das árvores para nos auxiliar.
Nesse dia fica muito nítida a mudança da paisagem, até uns 1.200 metros era a floresta que até então estávamos caminhando, mais aberta, com as árvores mais altas. A partir daí até uns 1.500 metros a mata se fechou um pouco e apareceram as primeiras raízes e pedras. Até uns 1.800 metros, a subida se tornou ainda mais íngreme, passamos por uma cachoeira pequena e a trilha se transformou em um córrego de água clara. A partir de 1.800 até uns 2.000 metros caminharemos sobre um imenso jardim Jurássico, surgiram bromélias gigantes e a subida ficou mais leve. Dos 2.000 metros até o acampamento base, o visual fica diferente de tudo: muita lama, areias cor-de-rosa, quartzo, bromélias gigantes e plantas carnívoras.
Como estamos bem mais altos existe menos a incidência de insetos, por isso é um dia que normalmente dormimos em barracas.
  
Dia 7
       
Acampamento Base > Cume do Pico da Neblina
Esse é o grande dia, o dia de se atingir o cume do Pico da Neblina o topo do Brasil
A caminhada nesse dia também é bem puxada, nesse dia caminharemos por um bom tempo com lama até os joelhos e logo depois a subida fica extremamente íngreme, praticamente sobre pedras, com trechos em que é preciso o auxílio de cordas fixas que são trocadas de tempo em tempos, mas mesmo assim não é bom confiar totalmente nelas, pois estão sobre a ação do tempo e dos elementos. Depois de umas 5 horas de caminhada chega-se no topo do Brasil onde temos uma visão deslumbrante em 360 graus da nossa querida Floresta Amazônica, com destaque para as montanhas da Serra do Imeri e o imenso Planalto das Guianas.
Nesse dia o acampamento é feito no próprio cume do Pico da Neblina e em barracas.
  
Dia 8
       
Cume do Pico da Neblina > Acampamento Base
Nesse dia caminharemos do Pico da Neblina por uma fina crista até o Pico 31 de Março que é segundo maior pico do Brasil. Essa caminhada é bem tranqüila, e a paisagem lá te faz pensar que estamos na pré-história. Caminharemos sob uma densa neblina e entre pedras empilhadas, que se assemelham à fisionomia de animais, tornam o lugar bem inóspito. E até mais interessante que o próprio Neblina.
Depois de explorar o cume do 31 de Março, retornamos ao Pico da Neblina para começar a longa descida até o acampamento base, onde faremos o pernoite.
  
Dia 9
       
Acampamento Base > Bebedouro Novo
Nesse dia caminharemos do acampamento base até o acampamento de Bebedouro Novo em uma descida bastante íngreme e castigante, mas não menos bela e muito recompensadora, pois andar sobre a fascinante Floresta Amazônica é uma experiência que vai demorar a sair de nossas cabeças.
  
Dia 10
       
Bebedouro Novo > Boca do Tucano
Nesse dia o objetivo normalmente é fazer uma extensa caminhada até a Boca do Tucano, onde a caminhada começou a 7 dias atrás. Acamparemos nesse local ou na aldeia Yanomami de Maturacá.
  
Dia 11
       
Boca do Tucano > Yá-Mirim
Dia de descanso para as pernas, pois voltaremos a andar nas voadeiras, onde seguiremos até as margens do rio Yá-Mirim onde é feito o pernoite.
  
Dia 12
       
Yá-Mirim > São Gabriel da Cachoeira
Dia de subir na carroceria das Toyotas e ir sacolejando por algumas boas horas até o centrinho de SGC. Pernoite feito em algum hotel no centro da cidade.
  
Dia 13
       
São Gabriel da Cachoeira > Manaus > Casa
Hora de arrumar as mochilas e seguir para o Aeroporto de SGC para pegar um vôo para Manaus deixando para traz um lugar lindo que maltratou nosso corpo, que fez nosso coração acelerar e nossa imaginação voar.
Serra do Imeri, Planalto das Guianas.
Plantas de grande porte e vegetação mais fechada (floresta equatorial) só são comuns até os 1000 m de altitude; dos 1000 m até aos 1700 m há arvores de médio e pequeno porte, onde a vegetação é mais aberta, e a partir dos 1800 m só há vegetação rasteira na forma de líquens e bromélias (vegetação de altitude). O Parque é considerado desde a visita dos primeiros botanistas um dos lugares de maior biodiversidade e endemismo do planeta, embora faltem estudos que o comprovem.
O Parque abriga uma das faunas mais ricas do país, mas com diversas espécies ameaçadas de extinção. Embora ainda abundante na área, o primata uacari-preto (Cacajao melanocephalus), por exemplo, tem sofrido em outras regiões a redução de suas áreas nativas, o mesmo acontecendo com o galo-da-campina (Rupicola rupicola), pequena ave alaranjada que habita as áreas cobertas por florestas.
Outras espécies preservadas são o cachorro-do-mato (Speothos venaticus), onça pintada (Panthera onca), gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannys) e gaviao-de-penacho (Spizaetus ornatus). Podem-se observar ainda a anta (Tapirus terrestris), os zoguezogues (Callibecus spp.), tucano-açu (Ramphastos toco), mutumporanga (Crax alector) e jacamim-de-costas-cinzentas (Psophia-crepitans).
A região é considerada a área contínua com maior volume de precipitação pluviométrica do Brasil, não existindo estação seca. Os meses de maior precipitação são agosto, setembro, outubro e novembro. A precipitação média anual em São Gabriel da Cachoeira é de 2.882,0 mm e a temperatura média é de 25,2ºC, com pequenas oscilações para menos de junho a agosto e mais nos demais meses. A nebulosidade é acentuada durante todo o ano, sendo mais intensa em abril e maio.
Em todo o ano, a temperatura nas áreas até os 700 m é de aproximadamente 32°C durante o dia, caindo à noite para cerca de 19°C. Nas áreas entre 750 e 1.400 m, as temperaturas médias são de 26°C (dia) e 13°C (noite); entre 1.500 e 2.500 m, as temperaturas são de 19°C ao dia e 5°C à noite. Acima de 2.500 m, caem para 15°C ao dia e 1°C a noite. Nos picos é fácil a temperatura ficar negativa.
Essa expedição é normalmente feita em 13 dias possui diversos acampamento:
  
Segundo dia - Primeiro Acampamento: Praia dos Amores ou no Povoado de Nazaré;
  
Terceiro dia - Segundo Acampamento: Acampamento da Boca do Tucano;
  
Quarto dia - Terceiro Acampamento: Bebedouro Velho;
  
Quinto dia - Quarto Acampamento: Bebedouro Novo;
  
Sexto dia - Quinto Acampamento: Acampamento Base;
  
Sétimo dia - Sexto Acampamento: Acampamento no Cume do Pico da Neblina;
  
Oitavo dia - Sétimo Acampamento: Acampamento Base;
  
Nono dia - Oitavo Acampamento: Acampamento Bebedouro Novo;
  
Décimo dia - Nono Acampamento: Acampamento Boca do Tucano ou na Aldeia Yanomami.
Pode-se subir o Pico da Neblina e o 31 de Março o ano todo, mas os meses menos chuvosos vão de dezembro a abril (Verão).
Todas as fotos desse artigo são da fotógrafa Rosangela Loeblein.
Fotos da Expedição ao Pico da Neblina e 31 de Março, por Rosangela Loeblein
Tracklog do Pico da Neblina e do Pico 31 de Março (mapa) - PNPN - AM
Tracklog do Pico da Neblina e do Pico 31 de Março - PNPN - AM
  
Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto.
Previsão do tempo por Mountain Forecast
Adote uma Montanha
Pico da Neblina
Descrição
O Pico da Neblina, localizado na Serra do Imeri, extremo norte do estado do Amazonas, bem na fronteira com a Venezuela é o ponto culminante do Brasil com seus 2.993,78 metros de altitude. O nome do Pico da Neblina deve-se ao fato de se encontrar praticamente o ano todo encoberto por nuvens e foi por essa característica que o escondeu até a década de 1950 quando o comandante Mário Jucá, da extinta Panair do Brasil, o identificou quando sobrevoava a região em num raro momento em que ele não estava encoberto pela espessa neblina.
Na década de 1950 não existiam instrumentos de precisão como o GPS, porém o comandante Jucá teria chegado a conclusão que o pico que estava sobrevoando era o maior do Brasil apenas olhando o altímetro barométrico de sua aeronave, nessa época acreditava-se que o Pico da Bandeira era o ponto mais alto do Brasil. Se para os brasileiros o pico era desconhecido, para os venezuelanos ele já era conhecido anteriormente como Cerro Jimé, e foi conquistado em 1954 numa expedição do eminente ornitologista venezuelano William H. Phelps Jr. e em sua homenagem, o pico às vezes é chamado de Cerro Phelps na Venezuela.
|
|
Em 1962, alguns pesquisadores brasileiros e venezuelanos sobrevoaram o maciço em vôos de reconhecimento, constatando que o Pico da Neblina está totalmente em território brasileiro, mais precisamente no município de Santa Isabel do Rio Negro, e a pouca distância do Pico 31 de Março, que é a verdadeira divisa entre o Brasil e a Venezuela. O 31 de Março é 21 metros mais baixo que o Neblina sendo a segunda maior montanha do Brasil e a montanha mais alta da Venezuela fora dos Andes.
A primeira expedição brasileira ao Pico da Neblina aconteceu em outubro de 1964, mas infelizmente não chegou a atingir o seu cume. Foi liderada pelo senhor Roldão e teve como participante o jornalista Carlos Marchesini que nos deixou a seguinte impressão: "Aquele era um mundo perdido, ainda intocado pelo homem", porém as autoridades brasileiras ainda se viam às voltas com litígios fronteiriços, problemas que se arrastavam sem solução através dos anos e foi por isso que em 1965 o Brasil decidiu dar um passo adiante na busca de uma solução definitiva para essas pendências, e para tanto enviou à região uma Comissão Mista de Limites liderada pelo general Ernesto Bandeira Coelho, e foi essa a primeira ascensão da montanha por brasileiros.
|
|
A região que está inserida o Pico da Neblina possui um dos ecossistemas amazônicos mais importantes, por essa razão foram realizados em 1978 alguns estudos pela diretoria do Departamento de Parques Nacionais e constataram a grande importância da criação de um parque nacional nessa região. Um requerimento encaminhado ao Presidente do IBDF (antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), seguiu para o Ministro da Agricultura da época e finalmente foi assinado pelo então presidente militar João Figueiredo, o decreto de criação do Parque Nacional do Pico da Neblina no dia 5 de junho de 1979 em homenagem ao dia mundial do Meio Ambiente.
O Parque Nacional do Pico da Neblina é um dois maiores parques brasileiro possuindo uma área de 2.200.000 há (dois milhões e duzentos mil hectares) que somados com a área do Parque Nacional Cerro de La Neblina, no lado venezuelano da fronteira, de aproximadamente 1.360.000 hectares, formam um dos maiores complexos bióticos protegidos do planeta, contribuindo para satisfazer o objetivo de se proteger uma amostra muito significativa e bem preservada da Floresta Amazônica.
|
|
Mesmo sendo um parque nacional e administrado pelo ICMBio, as terras do parque se sobrepões as terras demarcadas para os Yanomamis, por esse motivo é fundamental, para evitar ter sérios problemas com os índios durante a expedição, ter uma autorização prévia da Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes (AYRCA), documento liberado pelo presidente da associação e amplamente debatido com as lideranças indígenas, que questionam até mesmo os motivos e intenções da expedição.
Este maciço montanhoso inserido no meio da Floresta Amazônica há muito tempo vem chamando a atenção de aventureiros, cientistas e viajantes, que por lá passaram. Em 1908 o renomado botânico inglês Spruce escreveu a seguinte citação: "contudo, a mais admirável cena foram as montanhas que estavam atrás de mim, e que quando levantei e virei-me para vê-las, pareceram-me o mais fino tema para o pincel de um pintor que eu já tinha visto na América do Sul. Com palavras é impossível fazer justiça à cena"
  
Altitude: 2.993,78 m.  
Administração: IcmBIO.  
Carta Topográfica:  
Atração: Paisagem, montanhas, formações rochosas, flora e fauna.A Trilha / Expedição
  
Dia 1       
Manaus > São Gabriel da CachoeiraA expedição para o Pico da Neblina e Pico 31 de Março começa normalmente na cidade de Manaus onde é necessário pegar um vôo até a pequena cidade de São Gabriel da Cachoeira (SGC), cidade amazonense às margens do Rio Negro, perto da divisa com a Venezuela e a Colômbia. O Neblina não está localizado nas terras de SGC, mas ela é a cidade com acesso mais fácil, motivo pelo qual ela é sempre usada como base para as expedições.
Do aeroporto até o centro da cidade da cidade de Manaus é necessário pegar alguma condução, normalmente pegamos alguns precários micro-ônibus que fazem a linha aeroporto x centro. O pernoite desse primeiro dia é normalmente feito em algum hotel no centro de SGC.
  
Dia 2       
São Gabriel da Cachoeira > Praia dos Amores (Rio Cauaburis)Hora de arrumar a mochila para embarcar na carroceria de alguma Toyota que nos levará até o quilometro 85 da BR-307 em uma viagem de 150 quilômetros. O tempo dessa viagem desde centro de SGC até o km 85 é muito variável devido a péssima condições da rodovia BR-307, normalmente essa viajem leva 4 horas para chegar ao rio Yá-mirim, caso a 4x4 não atole nenhuma vez. A partir das margens do Yá-mirim a viagem segue nas voaderias que são embarcações pequenas e velozes feitas de alumínio com motor de popa.
|
|
A partir desse ponto já começamos a ter contato com os índios locais, os Yanomamis, pois o Parque Nacional do Pico da Neblina está sobreposto em terras de uma reserva indígena, por isso para se entrar no parque é necessário pagar uma taxa para os Yanomamis, além de alugar a voadeira dos mesmos, pagar o combustível, mais o condutor e contratar dois carregadores da comunidade, mas mesmo assim você ainda corre o risco de ser barrado ao entrar na reserva indígena, é por isso que é muito importante um contato antecipado com a Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes (AYRCA).
|
|
A voadeira desce o Yá-Mirim e rapidamente adentra no rio Yá-grande, desse ponto já podemos apreciar toda grandeza de nossa floresta Amazônica, pois navegar pelos rios e igarapés da floresta é uma grande experiência e com certeza um diferencial dessa expedição.
Depois de mais algumas horas descendo o Yá-grande (ou Xihitima em Yanomami), alcançamos o rio Cauaburis (Paretota), no qual é preciso subir para se chegar à praia dos amores (devido as tartarugas que ficam por lá) onde é feito o pernoite desse dia.
  
Dia 3       
Praia dos Amores (Rio Cauaburis) > Boca do TucanoApós o café é preciso retornar as voadeiras para continuar a viagem pelo Cauaburi por onde seguiremos até chegar ao canal de Maturacá (Hepotexiwë), onde ocorre um belo encontro desses rios criando um efeito ao misturar as águas brancas com pretas.
A viagem de voadeira ainda continua por mais algumas horas até a Boca do Tucano, que é um acampamento às margens do Igarapé Tucano, que tem sua nascente lá na Serra do Neblina, no qual margearemos durante boa parte de nossa caminhada.
O pernoite desse dia é feito nesse acampamento, mas normalmente dormiremos sobre lonas e em redes para nos livrarmos dos enxames de insetos principalmente das famosas formigas Tucandeiras que dizem que a sua mordida gera 24 horas de dor, também para fugir dos animais que espreitam o chão e também para nos livrarmos de algum alagamento caso a chuva, que é muito comum o ano todo, não de uma trégua.
  
Dia 4       
Boca do Tucano > Bebedouro VelhoDepois de alguns dias descansando esse é o dia que vamos começar a caminhar, nesse dia caminharemos cerca de 13 quilômetros debaixo da exuberante Floresta Amazônica nos deslumbrando com árvores gigantes, árvores pequenas, bichos, sons, igarapés, alagados até chegar no nosso próximo o acampamento: Bebedouro Velho (400 m de altitude), onde é feito o pernoite desse dia. Apesar de toda exuberância da floresta, essa caminhada não é nada fácil, além dos insetos, com certeza a umidade é um dos piores adversários.
|
|
Desse acampamento já podemos ter uma bela vista de nosso objetivo, de lá já é possível ver no horizonte o pontudo Pico da Neblina e seu irmão menor, o Pico 31 de Março.
|
|
O pernoite desse dia também é feito sobre lonas onde também dormiremos em redes, pelos mesmos motivos descritos acima.
  
Dia 5       
Bebedouro Velho > Bebedouro NovoMais um dia de caminhada difícil, normalmente de baixo de muita chuva e um calor sufocante, caminharemos mais 12 quilômetros até o acampamento de Bebedouro Novo (860 m de altitude), onde faremos o pernoite desse dia também sobre lonas e em redes.
|
|
  
Dia 6       
Bebedouro Novo > Acampamento BaseA caminhada desse dia é de apenas 6 quilômetros, mas essa pernada não é nada fácil, pois caminharemos até o acampamento base a 2.120 metros de altitude, com um desnível a ser superado de mais de 1.200 metros. Essa subida obviamente é muito íngreme e usaremos por muitas vezes as raízes das árvores para nos auxiliar.
|
|
|
Nesse dia fica muito nítida a mudança da paisagem, até uns 1.200 metros era a floresta que até então estávamos caminhando, mais aberta, com as árvores mais altas. A partir daí até uns 1.500 metros a mata se fechou um pouco e apareceram as primeiras raízes e pedras. Até uns 1.800 metros, a subida se tornou ainda mais íngreme, passamos por uma cachoeira pequena e a trilha se transformou em um córrego de água clara. A partir de 1.800 até uns 2.000 metros caminharemos sobre um imenso jardim Jurássico, surgiram bromélias gigantes e a subida ficou mais leve. Dos 2.000 metros até o acampamento base, o visual fica diferente de tudo: muita lama, areias cor-de-rosa, quartzo, bromélias gigantes e plantas carnívoras.
|
|
Como estamos bem mais altos existe menos a incidência de insetos, por isso é um dia que normalmente dormimos em barracas.
  
Dia 7       
Acampamento Base > Cume do Pico da NeblinaEsse é o grande dia, o dia de se atingir o cume do Pico da Neblina o topo do Brasil
A caminhada nesse dia também é bem puxada, nesse dia caminharemos por um bom tempo com lama até os joelhos e logo depois a subida fica extremamente íngreme, praticamente sobre pedras, com trechos em que é preciso o auxílio de cordas fixas que são trocadas de tempo em tempos, mas mesmo assim não é bom confiar totalmente nelas, pois estão sobre a ação do tempo e dos elementos. Depois de umas 5 horas de caminhada chega-se no topo do Brasil onde temos uma visão deslumbrante em 360 graus da nossa querida Floresta Amazônica, com destaque para as montanhas da Serra do Imeri e o imenso Planalto das Guianas.
Nesse dia o acampamento é feito no próprio cume do Pico da Neblina e em barracas.
  
Dia 8       
Cume do Pico da Neblina > Acampamento BaseNesse dia caminharemos do Pico da Neblina por uma fina crista até o Pico 31 de Março que é segundo maior pico do Brasil. Essa caminhada é bem tranqüila, e a paisagem lá te faz pensar que estamos na pré-história. Caminharemos sob uma densa neblina e entre pedras empilhadas, que se assemelham à fisionomia de animais, tornam o lugar bem inóspito. E até mais interessante que o próprio Neblina.
|
|
Depois de explorar o cume do 31 de Março, retornamos ao Pico da Neblina para começar a longa descida até o acampamento base, onde faremos o pernoite.
  
Dia 9       
Acampamento Base > Bebedouro NovoNesse dia caminharemos do acampamento base até o acampamento de Bebedouro Novo em uma descida bastante íngreme e castigante, mas não menos bela e muito recompensadora, pois andar sobre a fascinante Floresta Amazônica é uma experiência que vai demorar a sair de nossas cabeças.
  
Dia 10       
Bebedouro Novo > Boca do TucanoNesse dia o objetivo normalmente é fazer uma extensa caminhada até a Boca do Tucano, onde a caminhada começou a 7 dias atrás. Acamparemos nesse local ou na aldeia Yanomami de Maturacá.
  
Dia 11       
Boca do Tucano > Yá-MirimDia de descanso para as pernas, pois voltaremos a andar nas voadeiras, onde seguiremos até as margens do rio Yá-Mirim onde é feito o pernoite.
  
Dia 12       
Yá-Mirim > São Gabriel da CachoeiraDia de subir na carroceria das Toyotas e ir sacolejando por algumas boas horas até o centrinho de SGC. Pernoite feito em algum hotel no centro da cidade.
  
Dia 13       
São Gabriel da Cachoeira > Manaus > CasaHora de arrumar as mochilas e seguir para o Aeroporto de SGC para pegar um vôo para Manaus deixando para traz um lugar lindo que maltratou nosso corpo, que fez nosso coração acelerar e nossa imaginação voar.
Localização
Serra do Imeri, Planalto das Guianas.
Flora
Plantas de grande porte e vegetação mais fechada (floresta equatorial) só são comuns até os 1000 m de altitude; dos 1000 m até aos 1700 m há arvores de médio e pequeno porte, onde a vegetação é mais aberta, e a partir dos 1800 m só há vegetação rasteira na forma de líquens e bromélias (vegetação de altitude). O Parque é considerado desde a visita dos primeiros botanistas um dos lugares de maior biodiversidade e endemismo do planeta, embora faltem estudos que o comprovem.
Fauna
O Parque abriga uma das faunas mais ricas do país, mas com diversas espécies ameaçadas de extinção. Embora ainda abundante na área, o primata uacari-preto (Cacajao melanocephalus), por exemplo, tem sofrido em outras regiões a redução de suas áreas nativas, o mesmo acontecendo com o galo-da-campina (Rupicola rupicola), pequena ave alaranjada que habita as áreas cobertas por florestas.
Outras espécies preservadas são o cachorro-do-mato (Speothos venaticus), onça pintada (Panthera onca), gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannys) e gaviao-de-penacho (Spizaetus ornatus). Podem-se observar ainda a anta (Tapirus terrestris), os zoguezogues (Callibecus spp.), tucano-açu (Ramphastos toco), mutumporanga (Crax alector) e jacamim-de-costas-cinzentas (Psophia-crepitans).
Clima
A região é considerada a área contínua com maior volume de precipitação pluviométrica do Brasil, não existindo estação seca. Os meses de maior precipitação são agosto, setembro, outubro e novembro. A precipitação média anual em São Gabriel da Cachoeira é de 2.882,0 mm e a temperatura média é de 25,2ºC, com pequenas oscilações para menos de junho a agosto e mais nos demais meses. A nebulosidade é acentuada durante todo o ano, sendo mais intensa em abril e maio.
Em todo o ano, a temperatura nas áreas até os 700 m é de aproximadamente 32°C durante o dia, caindo à noite para cerca de 19°C. Nas áreas entre 750 e 1.400 m, as temperaturas médias são de 26°C (dia) e 13°C (noite); entre 1.500 e 2.500 m, as temperaturas são de 19°C ao dia e 5°C à noite. Acima de 2.500 m, caem para 15°C ao dia e 1°C a noite. Nos picos é fácil a temperatura ficar negativa.
Mapa Dinâmico
Acampamento
Essa expedição é normalmente feita em 13 dias possui diversos acampamento:
  
Segundo dia - Primeiro Acampamento: Praia dos Amores ou no Povoado de Nazaré;  
Terceiro dia - Segundo Acampamento: Acampamento da Boca do Tucano;  
Quarto dia - Terceiro Acampamento: Bebedouro Velho;  
Quinto dia - Quarto Acampamento: Bebedouro Novo;  
Sexto dia - Quinto Acampamento: Acampamento Base;  
Sétimo dia - Sexto Acampamento: Acampamento no Cume do Pico da Neblina;  
Oitavo dia - Sétimo Acampamento: Acampamento Base;  
Nono dia - Oitavo Acampamento: Acampamento Bebedouro Novo;  
Décimo dia - Nono Acampamento: Acampamento Boca do Tucano ou na Aldeia Yanomami.Quando Ir
Pode-se subir o Pico da Neblina e o 31 de Março o ano todo, mas os meses menos chuvosos vão de dezembro a abril (Verão).
Fotos
Todas as fotos desse artigo são da fotógrafa Rosangela Loeblein.
Download Carta Topográfica
Download Tracklog
Dicas
  
Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto.Tempo
..: Clube do Aventureiros :..
www.clubedosaventureiros.com
Adote uma Montanha
Quer contribuir com o Guia de Trilhas / Montanhas e Cachoeiras? O Guia está aberto a contribuição de seus leitores. Clique para saber mais detalhes.
Artigos Relacionados:
| < Anterior |
|---|
Login
Quem está Online
Nós temos 146 visitantes online
Estatísticas
Visualizações : 11511511




comentários
Marcos RJ
E'mail: joseluispessoa@ bol.com.br
Como fazer contato com um guia ou agencia de turismo para ir ao cume do pico da neblina? Ficarei muito grato com a ajuda.
Atenciosamente,
Jose Luis Pessoa
Assine o RSS dos comentários